PT do Rio define novo comando hoje em eleição com racha entre grupos de Quaquá e o de Lindbergh e Ceciliano

Diego Zeidan e Reimont disputam presidência estadual em clima de divisão. Mais de 35 mil petistas devem ir às urnas em todo o estado

Diego Zeidan e Reimont em debate do PED 2025. Foto: reprodução

GUSTAVO BRAZ

Neste domingo (6), mais de 35 mil petistas estão aptos a ir às urnas no Rio de Janeiro para escolher os novos dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT). A eleição, conhecida como Processo de Eleição Direta (PED), deve contar com mais de 150 locais de votação espalhados pelo estado — sendo cerca de 60 somente na capital. O resultado final começa a ser apurado no mesmo dia, à noite, com divulgação prevista a partir das 21h, nas redes oficiais da legenda.

Além da disputa pela presidência nacional, os filiados também votarão para a escolha dos comandos dos estados e municípios e para a composição dos diretórios regionais. O voto será único: na mesma cédula, o eleitor escolherá o presidente nacional, estadual e municipal, bem como as chapas dos respectivos diretórios. As cadeiras nos diretórios serão distribuídas de forma proporcional ao desempenho de cada chapa.

No território fluminense, a disputa está polarizada entre Diego Zeidan, atual secretário de Habitação do Rio e filho do vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, o todo-poderoso Washington Quaquá e o deputado federal Reimont — apoiado por nomes tradicionais da legenda, como a deputada Benedita da Silva; o líder da bancada petista na Câmara, Lindbergh Farias; e o ex-presidente da Alerj André Ceciliano.

Diego conta com apoio da maioria dos diretórios municipais e é apontado por interlocutores internos como o favoritíssimo na disputa. Se a aposta se confirmar, o grupo liderado por Quaquá vai derrotar, de uma só vez, todas as demais forças oponentes capitanedas por outras lideranças tradicionais como Lindbergh, Ceciliano e Benedita.

Quem apoia quem

Para entender o alinhamentio interno das forças petistas é necessário analisar a quantidade de chapas inscritas na disputa. Diego tem o apoio majoritário de sete chapas, das quais as duas mais importantes são a do próprio Quaquá e a organizada pelo atual presidente João Maurício e pelo secretário de organização do partido, Ricardo Pinheiro.

Os deputados de Maricá, Zeidan e Renato Machado, e o vereador da capital Felipe Pires integram a chapa organizada pelo prefeito da cidade. Já a chapa de Joãozinho tem o apoio da deputada Verônica Lima e do deputado federal Dimas Gadelha. Nesses dois blocos, Diego terá virória acachapante.

A única dissidência neste contingente é representada pelo ex-deputado Marcelo Freixo, que integra a chapa de Joãozinho mas apoia Reimont. A despeito da forte presença junto ao eleitorado fluminense, Freixo é “cristão-novo”, foi convertido recentemente ao petismo e não tem base partidária. Ou seja, Freixo é apenas Freixo na aritmética eleitoral interna.

Já Reimont conta com apenas uma única chapa – integrada por quase todos as demais lideranças petistas fluminenses. Estão lá os deputados federais Lindbergh Farias e Benedita da Silva, as deputadas estaduais Elika Takimoto e Marina do MST e os vereadores Leonel de Esquerda, Maíra do MST e Tainá de Paula. A chapa ainda tem o apoio do ex-deputado André Ceciliano e da ministra Anielle Franco. Todos se uniram para enfrentar o poderoso grupo de Quaquá – e , a julgar por avaliações preliminares, podem ser derrotados.

Segundo avaliação do grupo ligado a Quaquá, a diferença que poderia ser maior há alguns meses teria diminuído nas últimas semanas com o esforço da oposição para ganhar espaço na composição do diretório — considerado peça-chave nas deliberações internas do partido. A leitura é de que, mesmo com eventual derrota na disputa da presidência, o grupo que apoia Reimont tenta ampliar sua presença entre os membros eleitos para o diretório estadual. 

Por outro lado, o grupo de Diego diz ter investido em trabalho de base, com visitas a cidades do interior, filiações e presença constante nas ruas. A avaliação interna é de que essa aproximação com a militância mais popular desequilibrou o jogo a favor da candidatura.

As decisões sobre candidaturas e alianças do PT no estado passam pelo diretório, que terá composição proporcional ao resultado das chapas. As estimastivas apontam que o grupo de Zeidan deverá obter maioria, o que, na prática, garantiria o controle também sobre o futuro Executivo do diretório.

Nas redes sociais, Zeidan reforçou a defesa de uma legenda mais presente nos territórios populares. “No Jogo do Poder, deixei claro: quero um PT que dialogue com todo o Estado. Eu subo a favela, converso com o povo, ando nas ruas, porque é assim que a gente constrói um partido forte e enraizado”, afirmou. E cravou, no vídeo que acompanha o post, no qual aparece sendo entrevistado pelo jornalista Ricardo Bruno:  “O PT não pode falar só com a Zona Sul ou com a Praça São Salvador. Meu compromisso é com o povo trabalhador de todo o Rio de Janeiro”.

Reimont aposta em força de lideranças históricas

A candidatura de Reimont, por outro lado, reúne lideranças históricas e busca se colocar como contraponto ao que integrantes do seu grupo consideram uma condução excessivamente pragmática da legenda. Segundo relatos, parte dessas lideranças avalia que a influência política de Maricá e o crescimento acelerado do grupo ligado a Quaquá estariam desbalanceando a correlação de forças internas do partido. 

Com apoio de setores tradicionais, a chapa do grupo ligado a Lindbergh e a Ceciliano se apresenta como mais plural . “O PT não tem dono. Ele precisa ser governado num diálogo permanente com o coletivo que o compõe”, afirmou Reimont ao Agenda do Poder. “Essa articulação vai dar muito resultado e vamos vencer as eleições”, disse.

Reimont reconhece que o partido passou por um processo de institucionalização ao longo do tempo, mas pondera que isso não pode apagar os princípios que motivaram a fundação do PT. “Temos que ter um nível de burocratização, mas ao mesmo tempo manter viva aquela chama que deu origem ao PT. O partido não nasceu para ficar na mão de uma família ou grupo pequeno”, afirmou.

Na capital, PED reproduz polarização da disputa estadual

Na capital, a eleição para a presidência municipal também é marcada pela polarização. Alberes Lima, do grupo de Quaquá, enfrenta o vereador Leonel de Esquerda, que integra o campo de oposição interna. A expectativa entre aliados de Alberes é de vitória com margem muito folgada, confirmando o controle do grupo de Quaquá também na cidade do Rio de Janeiro . Dr. Rubinho da Divinéia, terceiro nome na disputa, é tratado como candidatura simbólica.

A votação será aberta a todos os filiados em situação regular no partido, bastando levar documento oficial com foto, e será encerrada no próprio domingo, com apuração descentralizada: cada município enviará seus resultados diretamente ao diretório estadual.

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