PSDB rompe fusão com Podemos após impasse sobre comando da nova legenda

Tucanos culpam intransigência da presidente Renata Abreu e reabrem diálogo com MDB, Republicanos e Solidariedade

O PSDB decidiu encerrar as negociações de fusão com o Podemos, após meses de tratativas entre as duas legendas. Segundo a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, o motivo principal do rompimento foi a divergência sobre quem assumiria a presidência da sigla unificada. A executiva tucana considerou inaceitável a exigência do Podemos de manter o controle da nova legenda por quatro anos, com a presidente Renata Abreu no comando.

A proposta do PSDB era de uma gestão compartilhada nos dois primeiros anos, com revezamento entre representantes dos dois partidos a cada seis meses. Esse modelo visava garantir equilíbrio de forças até que uma nova direção fosse definida por consenso. A proposta, no entanto, foi rejeitada pelo Podemos.

“Nesses termos colocados pelo Podemos, a fusão não nos interessa. Não pretendemos apenas entregar o PSDB para outro partido administrar. O que lamentamos é que tenha havido essa intransigência na reta final”, afirmou o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), um dos articuladores do processo. Ele disse ter comunicado a decisão a outras lideranças tucanas, como o presidente nacional do partido, Marconi Perillo, o secretário-geral Paulo Abi-Ackel e o líder da bancada na Câmara, Adolfo Viana, que teriam apoiado a interrupção do processo.

Aécio: “Vamos buscar novas alternativas”

Antes da ruptura, os partidos já haviam avançado significativamente nas tratativas. O PSDB aprovou a fusão em reuniões da Executiva e em convenção nacional — embora em caráter autorizativo, e não obrigatório. Também já haviam sido definidos o nome provisório da legenda (PSDB+Podemos), o programa partidário e símbolos representativos.

Com o fim das conversas, o PSDB anunciou que retomará o diálogo com outras siglas, como MDB, Republicanos e Solidariedade, com vistas a formar uma federação. A possibilidade de um arranjo federativo com o próprio Podemos, que manteria as direções partidárias autônomas, também não está descartada.

“Vamos agora buscar novas alternativas”, declarou Aécio, indicando que o PSDB não pretende ficar isolado no atual cenário de reorganização partidária. A decisão marca mais um capítulo das movimentações dos partidos de centro e centro-direita em busca de sobrevivência eleitoral diante das cláusulas de desempenho e da fragmentação do Congresso.

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