Promotoria denuncia 18 PMs por envolvimento em assassinato de delator ligado ao PCC

Três policiais são acusados pela execução do crime em Guarulhos, e outros 15 respondem por participação na escolta

O Ministério Público de São Paulo denunciou 18 policiais militares por crimes relacionados ao assassinato do empresário Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, ocorrido em novembro de 2024 na área de desembarque do Aeroporto Internacional de Guarulhos. A informação foi divulgada pela Folha de São Paulo.

Gritzbach, de 38 anos, havia firmado acordo de delação premiada em que revelou a atuação de integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e envolvimento de policiais civis. Ele também era réu por homicídio — acusação que negava — e se dizia alvo de um conluio entre criminosos e agentes do Estado.

Entre os denunciados, três PMs — o cabo Denis Antonio Martins, o soldado Ruan Silva Rodrigues e o tenente Fernando Genauro da Silva — são apontados como responsáveis diretos pela execução. Os dois primeiros teriam feito os disparos, e o terceiro, conduzido o veículo utilizado na ação. Outros 14 militares são acusados de integrar a escolta pessoal do empresário, prática considerada irregular dentro da corporação, e um último policial responde por falsidade ideológica e prevaricação.

Segundo a investigação, embora não haja indícios de que os integrantes da escolta tenham participado da execução, eles sabiam do histórico criminal do delator e da ligação dele com o PCC, o que, para o Ministério Público, os vincula à organização criminosa. A defesa contesta essa conclusão. “Segundo o Ministério Público, eles faziam escolta para um faccionado, o que não corresponde à verdade”, afirmou o advogado Guilherme Flauzino, que representa parte dos acusados.

A denúncia foi apresentada à Justiça Militar na última sexta-feira (9) e inclui um nome a mais que o indiciamento feito anteriormente pela Corregedoria da Polícia Militar. Todos os denunciados estão presos preventivamente, e também são alvos de ações paralelas na Justiça comum.

A defesa do tenente Genauro também nega qualquer envolvimento. “Ele não cometeu esse crime, ele não estava no dia dos fatos”, afirmou o advogado Mauro Ribas. A reportagem não conseguiu contato com os advogados dos demais envolvidos.

Uma das acusações mais específicas envolve um tenente da PM que teria alterado registros de escala para encobrir a ausência de um soldado que viajou com Gritzbach a Maceió, pouco antes do assassinato. A dispensa de serviço desse soldado não teria sido formalizada, o que configura falsidade ideológica e prevaricação.

O caso

A Polícia Civil aponta que Gritzbach foi morto por ordem de Emílio Carlos Gongorra de Castilho, o “Cigarreira”, de 44 anos, supostamente ligado ao PCC. A motivação teria sido vingança pela morte, em 2021, de Anselmo Becheli Santa Fausta, o “Cara Preta”, e seu motorista Antônio Corona Neto, o “Sem Sangue”. Gritzbach era investigado por esse homicídio, mas negava envolvimento.

Em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil, em outubro de 2024, o empresário afirmou que Castilho tentou incriminá-lo e articulava um plano para envolvê-lo no assassinato de Cara Preta, ocorrido no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo.

Castilho está foragido e, segundo informações de fevereiro deste ano, estaria escondido na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro. Outro foragido é Kauê do Amaral Coelho, apontado como olheiro do crime no aeroporto. Ele é considerado peça-chave por ser o elo entre traficantes cariocas e o grupo que ajudou financeiramente em sua fuga.

Kauê é sobrinho de Diego do Amaral Coelho, o “Didi”, também suspeito de envolvimento. Segundo a investigação, os dois teriam participado de um “tribunal do crime” para julgar Gritzbach por supostamente ter desviado milhões de reais convertidos em criptomoedas pertencentes a Cara Preta.

Embora o delator tenha inicialmente convencido os criminosos de sua inocência, a absolvição não teria sido bem recebida. Emílio e Didi teriam então articulado, com apoio financeiro da facção, a contratação dos policiais militares que executaram o assassinato.

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