Desde agosto de 2023, durante os fins de semana, voluntários se reúnem em mutirões de limpeza para retirada de restos de cigarros, garrafas, latas, tampas, canudos, copos descartáveis e outros materiais jogados nas areias da orla do Rio. O resultado desse esforço resultou na marca de 1 milhão de guimbas, que os paulistas chamam de bitucas, removidas das praias cariocas.
— Em nosso primeiro mês de atuação, com apenas uma hora de dedicação diária, conseguimos retirar 20 mil bitucas da Praia de Copacabana. Esse feito nos impulsionou a trabalhar por resultados ainda mais expressivos e nossa causa ganhou corpo. Com a força e o carinho da população, acabamos criando uma verdadeira onda de solidariedade e ação. O orgulho dos participantes é tanto que, hoje, eles ostentam o título de “bituqueiros” — conta o idealizador do projeto, ambientalista e ex-secretário do Ambiente, Bernardo Egas.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), no Brasil, a cada 8 quilômetros de praia, mais de 200 mil guimbas, bitucas de cigarro contaminam o solo e o mar. O dado é alarmante, já que o material carrega uma mistura tóxica que prejudica o ecossistema marinho e ainda ameaça diretamente a saúde humana – um risco ainda maior para as crianças que brincam na areia.
Para incentivar ainda mais a limpeza das praias da cidade, a “Revolução das Bitucas” se uniu a grandes aliados. Colaborando com a causa, a Orla Rio instalou bituqueiras nos quiosques, incentivando o descarte adequado dos resíduos. E a ONG ReMAR se juntou aos “bituqueiros”, levando catadores autônomos de recicláveis para a linha de frente, ampliando o impacto positivo da iniciativa.
Rumo à sustentabilidade
Em tramitação na Câmara dos Deputados , o Projeto de Lei N.º 2.635/2023 propõe que as indústrias de cigarros sejam responsabilizadas pelos custos de limpeza das guimbas, bitucas, nas ruas e praias. A iniciativa é essencial para que empresas adotem práticas mais sustentáveis e ajudem a financiar soluções ecológicas para o descarte correto dos resíduos.
Com informações do GLOBO.





