Primeiro voo com imigrantes deportados dos EUA pousa em Guantánamo

Aeronave levou grupo classificado como “criminosos altamente perigosos” para a instalação militar em Cuba

O primeiro voo transportando imigrantes deportados pelos Estados Unidos para a base militar de Guantánamo, em Cuba, pousou nesta terça-feira (4). De acordo com a porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos EUA, Tricia McLaughlin, entre 9 e 10 imigrantes estavam a bordo, todos classificados pelo governo americano como “estrangeiros criminosos altamente perigosos”.

Imagens divulgadas pelas autoridades mostram os detidos algemados, escoltados por soldados americanos antes do embarque. A medida faz parte da política de endurecimento migratório do presidente Donald Trump, que pretende ampliar a unidade de detenção da base para acomodar até 30 mil pessoas. O governo, no entanto, não esclareceu se mulheres, crianças e famílias também serão enviadas para o local.

A deportação para Guantánamo se soma a outras operações militares que removem imigrantes para países como Guatemala, Peru, Honduras e Índia. Esses voos são uma alternativa cara de transporte, com custos estimados em pelo menos US$ 4.675 por pessoa, segundo a agência Reuters.

Denúncias de violação dos direitos humanos

A base militar de Guantánamo, mantida pelos EUA em Cuba desde 1903, se tornou mundialmente conhecida após os ataques de 11 de setembro de 2001, quando passou a abrigar suspeitos de terrorismo sob o governo de George W. Bush. A prisão da base acumulou denúncias de violações de direitos humanos, incluindo tortura. Desde sua fundação, cerca de 780 detidos passaram por suas instalações, sendo que 15 ainda permanecem lá.

A deportação de imigrantes para a mesma instalação levanta preocupações sobre o destino dos detidos e o possível uso da prisão para além dos casos de terrorismo.

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