Pressionado pela prisão, Vorcaro avalia delação premiada à PF e não à PGR

Investigado em esquema bilionário ligado ao Banco Master, ex-banqueiro avalia colaborar com autoridades após aumento da pressão judicial e política

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela segunda vez no âmbito da Operação Compliance Zero, passou a considerar de forma mais concreta a possibilidade de firmar um acordo de delação premiada. A alternativa, que antes era tratada apenas como hipótese distante pela defesa, ganhou força após a nova prisão ocorrida em março de 2026.

De acordo com informações divulgadas por bastidores da investigação, advogados próximos ao empresário passaram a discutir a viabilidade de negociar diretamente com a Polícia Federal, e não com a PGR de Paulo Gonet. A estratégia busca ampliar as chances de aceitação do acordo, já que a defesa avalia que a negociação com a corporação poderia oferecer mais espaço para a colaboração. As informações são do repórter Lauro Jardim, ameaçado de agressão pelo esquema de Daniel Vorcaro, na sua coluna em o Globo impresso de domingo.

Vorcaro é apontado como um dos principais envolvidos em um esquema bilionário de fraudes financeiras investigado pela operação. O caso envolve o Banco Master e levou ao cumprimento de mandados de prisão contra o ex-banqueiro e outros suspeitos ligados ao grupo.

Investigação envolve fraudes bilionárias

A possibilidade de um acordo de delação premiada surge como uma alternativa para tentar reduzir as consequências jurídicas enfrentadas pelo empresário. Nos bastidores, a defesa também avalia mudanças na equipe de advogados, caso o processo de colaboração avance.

Apesar das discussões internas, pessoas próximas ao ex-banqueiro afirmam que o tema ainda não foi formalmente colocado na mesa de negociação com as autoridades. Mesmo assim, o cenário mudou após a intensificação da pressão sobre o investigado.

Fontes ouvidas por veículos de imprensa relatam que o ambiente de pressão política e psicológica em torno de Vorcaro aumentou significativamente nas últimas semanas, o que teria reaberto a discussão sobre uma possível colaboração com a Justiça.

Vazamentos e pressão aumentam tensão no caso

Outro fator que elevou o clima de tensão na investigação foi o vazamento de mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro. O conteúdo teria circulado nos bastidores da investigação e ampliado o interesse público no caso.

Diante da situação, a defesa entrou com pedido judicial para que seja investigada a origem desses vazamentos. Os advogados querem identificar se houve participação de agentes públicos na divulgação das informações.

O isolamento imposto pelo regime de prisão também é apontado por pessoas próximas ao empresário como um elemento adicional de pressão. Atualmente, Vorcaro está detido em penitenciária federal de Brasília.

Juristas alertam para manipulações e vazamentos

Juristas ligados ao grupo Prerrogativas também se manifestaram sobre o caso. A entidade afirmou acompanhar a investigação e alertou para o risco de manipulação de apurações e vazamentos seletivos durante o andamento do processo.

Enquanto as negociações sobre uma possível delação ainda permanecem no campo das hipóteses, investigadores avaliam que uma eventual colaboração de Vorcaro poderia trazer novos desdobramentos relevantes para o avanço da Operação Compliance Zero nos próximos meses.

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