Rombo no BRB: Presidente e secretário faltam a audiência e são convocados

Nelson Antônio de Souza e Daniel Izaías de Carvalho não comparecem à CCJ para explicar operação fracassada do Banco Master

Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Legislativa do Distrito Federal decidiu convocar duas autoridades. Nelson Antônio de Souza, presidente do Banco de Brasília, e Daniel Izaías de Carvalho, secretário adjunto de Economia do governo do Distrito Federal, deverão prestar informações sobre a situação financeira do banco.

A medida foi tomada após os dois não comparecerem à audiência pública marcada para esta terça-feira. Eles haviam firmado acordo anterior com o legislativo local, que foi descumprido.

O compromisso quebrado

Os dois gestores haviam sido inicialmente chamados por meio de convite para a sessão desta terça-feira, após declararem publicamente que compareceriam espontaneamente à audiência. O objetivo seria prestar esclarecimentos sobre a operação frustrada de aquisição do Banco Master e detalhar as medidas de governança adotadas pela instituição.

Ao abrir a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o presidente do colegiado, deputado distrital Thiago Manzoni, destacou que a convocação havia sido convertida em convite diante do compromisso público de comparecimento na data desta terça-feira, 7 de abril.

Deputado reage

A ausência dos dois convidados também foi criticada pelo deputado Fábio Félix. Após citar uma série de reportagens que mostravam a gravidade dos fatos envolvendo o banco público. Ele lamentou a forma como autoridades do DF têm respondido às demandas sobre o caso. “Não só meu gabinete, mas todos os gabinetes desta Casa têm feito uma série de requerimentos de informação para ter acesso a documentos”.

“A resposta do BRB tem sido desrespeitosa com a Câmara Legislativa. É sempre um não taxativo, com base em argumentos de sigilo, dizendo que essas informações não podem ser prestadas a ninguém”, argumentou o deputado do PSOL.

Félix acrescentou que, sem essas informações, não há como os parlamentares ficarem a par da real situação do banco, e que esses depoimentos são fundamentais para saber o que está, de fato, acontecendo tanto no governo do DF como no BRB. Segundo o deputado do PSOL, é óbvia a responsabilidade pelo ocorrido, uma vez que é o governo do DF o controlador do BRB.

Ele argumentou que foi o próprio ex-governador quem mandou os dois projetos de lei para a Câmara Legislativa, em favor da operação. “Foi Ibaneis Rocha quem atuou politicamente para que os dois projetos fossem aprovados com muita rapidez e celeridade. Então não se trata de pré-julgamento jurídico. A responsabilidade política está clara”, acrescentou.

O caso no Congresso

No Congresso Nacional, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Crime Organizado também aguardava depoimento nesta terça-feira. O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha era o convidado e não compareceu. Já havia faltado a duas outras reuniões, também como convidado.

O colegiado reagiu e aprovou a convocação do ex-governador. Ibaneis Rocha deveria falar sobre as negociações do BRB para comprar o Banco Master. O Banco Central impediu o negócio.

O contexto da crise

O banco estatal do DF enfrenta uma crise de confiança e problemas de liquidez devido aos prejuízos decorrentes da compra bilionária de carteiras de crédito e ativos de baixa liquidez negociados pelo Banco Master. A Polícia Federal investiga suspeitas de fraude na compra de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos do banco.

Com Agência Brasil

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