O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, disse hoje (16) no Senado Federal que o Programa de Paridade Internacional (PPI) foi adotado por razões ideológicas e é incompatível com a autossuficiência brasileira em petróleo. Ele afirmou que a Petrobrás tem muitos gastos em reais e diversas vantagens econômicas (como produção interna, frota própria de navios e hegemonia de mercado) para se basear unicamente em preços internacionais.
– O PPI é a maior estupidez que um país pode praticar não sendo um importador. Por que vai praticar o preço da refinaria da Alemanha, do Texas, mais o frete, mais a despesa colocada na porta da refinaria brasileira? Isso é igual ao preço do concorrente mais ineficiente que você tem. No ano de 2017 foram 118 reajustes na cabeça do brasileiro, quem que vive com isso? Isso não tem a ver com ideologia, é lógica pura: não deu certo.
A favor da exploração de petróleo no Amapá, Jean Paul Prates atribuiu a demora à prioridade de investimento dadas às outras regiões que permitiam produção de forma mais eficiente, como a Bacia de Santos. Ele também lembrou que o processo de licenciamento ambiental e de produção petrolífera são por natureza mais demorados.
– Vamos desenvolver o Amapá e o seu litoral com vento [se referindo à energia eólica] e com petróleo. Provavelmente o dinheiro do petróleo vai pagar o investimento para o futuro de 50 anos e as compensações socioambientais e benefícios para governos estaduais e municipais. Nós estamos esperando as exigências finais do Ibama para ter a licença. Não há uma exigência do Ibama que não possa ser atendida pela Petrobras plenamente. Mas estamos falando de 5 a 8 anos, pelo menos, para entrar o primeiro óleo se a licença for dada esse ano – explicou Prates.
O presidente da Petrobras também considerou as críticas quanto aos impactos ambientais exageradas. Ele mencionou termos técnicos como “bacia da Foz do Amazonas”, que incluem pontos a mais de 500 quilômetros da terra, e “exploração de petróleo”, que são processos preliminares para averiguar a existência do combustível fóssil, para argumentar que as operações da empresa no litoral do Amapá serão seguras.
O senador Marcelo Castro (MDB-PI) observou que, com a perspectiva de aumento de fontes energéticas sustentáveis, a indústria petrolífera tende a perder relevância. Para o senador, que é presidente da CDR, o hidrogênio verde é uma possível alternativa de investimento para o Brasil.
– Hoje a energia do momento é o hidrogênio verde. E nós no Brasil, temos uma capacidade muito grande de produzir energia eólica, solar, biomassa. O Brasil tem potencial de ser uma Arábia Saudita de energia na base do hidrogênio.
O presidente da Petrobras estima que o petróleo deixará de ter a atual relevância em cerca de cinco décadas. Para ele, a Petrobrás possui técnicas e conhecimentos para a produção de energia eólica com instalação de hélices no mar, chamada de “energia eólica offshore”. A técnica teria vantagens como não ter que lidar com propriedades e a possibilidade de utilização de hélices maiores.
– O melhor lugar do mundo para a implantação de energia eólica offshore é o Nordeste brasileiro, à margem equatorial. A Petrobras opera completíssimas estruturas no alto mar. Construir hélices eólicas em alto mar é ‘playmobil’ para a Petrobras – afirmou Prates.
Para ser fonte de energia, o hidrogênio precisa ser produzido. Apesar de ser o elemento químico mais abundante, não é facilmente encontrado na natureza em sua forma pura. O hidrogênio verde se refere à técnica de produção por meio da eletrólise, que separa o hidrogênio da água por meio de fontes de energia renováveis, como a solar ou a eólica.
Jean Paul Prates explicou no Senado o modelo de preços de combustível adotado pela nova gestão, que considera os gastos da empresa na moeda nacional, e defendeu o recente reajuste no preço da gasolina, após a queda de preços dos últimos meses. Para ele, a nova política de preços “passou no teste”. As declarações foram dadas em audiência pública conjunta das Comissões de Infraestrutura (CI) e de Desenvolvimento Regional (CDR).
A reunião atende a requerimentos dos senadores Confúcio Moura (MDB-RO), Lucas Barreto (PSD-AP), Laércio Oliveira (PP-SE) e Zequinha Marinho (Podemos-PA) para o presidente da Petrobras explicar a mudança no cálculo dos preços de combustíveis. Desde 2017 a estatal utilizava os preços de paridade de importação (PPI), que se baseia em valores dolarizados, de empresas que exportam combustíveis ao Brasil.
Segundo Jean Paul Prates, que é ex-senador, o preço dos combustíveis hoje é calculado principalmente observando o local de produção e o destino, entre milhares de outras variáveis, entre as quais constam também o PPI. Para o presidente da Petrobras, o modelo foi resgatado por tornar mais justo o preço ao consumidor final.
– O modelo envolve 40 mil equações diferentes, com programação linear. Onde o cliente estiver é possível a gente fazer simulação de qual o melhor modal, o melhor óleo para colocar na refinaria mais próxima. A Petrobrás tem esse modelo desenvolvido há décadas e é para ser usado.
O presidente da empresa pública ainda disse que o reajuste no preço da gasolina anunciado nessa terça-feira (16) comprova o comprometimento da gestão com o método de preços. Segundo a Agência Brasil, a gasolina do tipo A (produzida pelas refinarias de petróleo e entregue diretamente às distribuidoras) terá aumento de cerca de 16%, sendo o litro vendido às distribuidoras por R$ 2,93.
– Qual era o teste que se propunha? ‘Quero ver na hora que subir o preço lá fora, se a Petrobras vai fazer o ajuste’. Fizemos. Portanto, a política passou no teste e vamos fazer [reajuste] quando for necessário – disse Jean Paul Prates, referindo-se às falas de críticos da nova política de preços do governo.





