O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, criticaram a perda de pontos da Unidos de Padre Miguel (UPM) no Carnaval do Rio de 2025 devido ao uso de termos em iorubá no samba-enredo da escola. O caso gerou forte repercussão, levando a Liesa a aceitar um requerimento da UPM para uma revisão da decisão.
David afirmou que a penalização representa uma forma de preconceito contra a agremiação, que havia retornado ao Grupo Especial após anos na Série Ouro. Ele garantiu que a jurada responsável pela nota não será renovada para o próximo carnaval e destacou que as escolas de samba devem ter liberdade criativa ao montar seus desfiles.
A ministra Margareth Menezes também se manifestou contra a decisão, classificando-a como um reflexo do racismo religioso ainda presente no país. “O iorubá é uma das línguas que formam nossa cultura, está na raiz do samba, das religiões de matriz africana e da história do Brasil. Essa penalização é inaceitável”, declarou a ministra em suas redes sociais.
“Decisão da jurada foi baseada em preconceito”, diz diretora da escola
A diretora de carnaval da UPM, Lara Mara, reforçou a indignação da escola, destacando que toda a justificativa para o enredo foi apresentada previamente. “Fizemos um glossário explicando cada termo, para que não houvesse dúvidas. A decisão da jurada foi baseada em preconceito e despreparo”, afirmou.
A penalização contribuiu para o rebaixamento da Unidos de Padre Miguel, que terminou em último lugar no Grupo Especial, apenas 1,1 ponto atrás da Mocidade Independente de Padre Miguel. Com isso, a escola volta para a Série Ouro em 2026. A decisão revoltou integrantes e simpatizantes da agremiação, levando a escola a protocolar um recurso na Liesa contra o resultado.
A Liesa tem um prazo de 15 dias para realizar uma plenária com representantes das 12 escolas do Grupo Especial, na qual a UPM apresentará seus argumentos em defesa da permanência na elite do carnaval carioca. No entanto, Gabriel David ponderou que qualquer mudança no resultado final depende de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o Ministério Público em 2019, que impede alterações após a apuração.
A UPM também apontou inconsistências graves nas justificativas da perda de pontos, incluindo penalizações por falhas técnicas no caminhão de som, que, segundo a escola, fugiam de sua responsabilidade. “Essa situação vai além de um simples erro de julgamento. É um desrespeito à nossa ancestralidade e à história do samba”, reforçou a diretora Lara Mara.
Diante da polêmica, escolas como Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira manifestaram apoio à Unidos de Padre Miguel.
Com informações do g1
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