O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta segunda-feira (5) que está disposto a “pegar em armas” para defender o país diante das recentes ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração ocorre em um momento de ruptura diplomática e escalada de tensões em território americano, intensificada após a operação militar estadunidense que resultou na captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, no último fim de semana.
Em publicação no X — antigo Twitter —, Petro, que é ex-guerrilheiro do grupo M-19, escreveu: “Jurei não voltar a tocar em uma arma… mas, pela pátria, voltarei a pegar em armas”. A reação foi uma resposta direta a comentários de Trump feitos a jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One.
Ofensiva retórica da Casa Branca
No domingo, Donald Trump descreveu Petro como um “homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”. Questionado por repórteres sobre a possibilidade de os EUA realizarem uma operação militar em solo colombiano, semelhante à ocorrida em Caracas, Trump respondeu: “Soa bem para mim”.
As hostilidades vêm crescendo desde dezembro, quando o governo estadunidense aumentou as críticas à política de combate às drogas da Colômbia. Em outubro de 2025, o Departamento do Tesouro dos EUA já havia incluído Petro em uma lista que o associa ao narcotráfico, embora sem apresentar provas judiciais.
Reação e medidas internas
Petro classificou a captura de Maduro como um “sequestro” sem base legal internacional e acusou Trump de destruir o Estado de Direito mundial. Como medida imediata, o presidente colombiano ordenou o afastamento de qualquer comandante das forças de segurança que “prefira a bandeira dos Estados Unidos à bandeira da Colômbia”.
O líder colombiano também negou as acusações de envolvimento com o tráfico de drogas. “Meu nome não aparece, em 50 anos, em nenhum arquivo judicial sobre narcotráfico. Pare de me caluniar, senhor Trump”, publicou. Para Petro, a agressividade de Washington é uma retaliação ao seu posicionamento crítico em relação ao apoio dos EUA à ofensiva de Israel em Gaza, o que já havia resultado na revogação de seu visto diplomático estadunidense no ano passado.
Contexto regional
A retórica de Trump faz parte de uma nova estratégia de Segurança Nacional que visa restaurar a “preeminência americana” na região. Além da Colômbia, o governo estadunidense emitiu advertências recentes a Cuba e reafirmou o interesse em assumir o controle da Groenlândia.
Na Colômbia, analistas apontam que o aumento no cultivo de coca, citado por Trump como pretexto para as ameaças, deve-se ao fortalecimento de grupos armados dissidentes e não a uma ação direta da presidência. Canais diplomáticos seguem em crise desde que a Colômbia devolveu um avião com migrantes deportados algemados no início de 2025.






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