Com mais de 120 mil moradores e cantado em prosa e verso por Dona Ivone Lara na música “Feirinha da Pavuna”, o bairro da Zona Norte ganhará, em menos de um ano, mais uma referência para chamar de sua. A prefeitura dá início neste domingo à construção de uma espécie de “irmão mais novo” do Parque Madureira, em uma área conhecida por ter poucas opções de lazer.
A obra do Parque Pavuna, que deve ficar pronta até junho de 2024, custará cerca de R$ 12 milhões e terá uma marca para se diferenciar de outros espaços públicos do Rio. Logo na entrada do parque, será instalada uma torre com 22 metros de altura, com iluminação cênica feita com lâmpadas led. A promessa é que essa iluminação terá efeitos especiais:
— Como o local escolhido para o parque já fica numa área mais elevada da Pavuna, à noite vai ser visto de bairros vizinhos. Será como um farol, uma espécie de “Bat-sinal”, sem a marca do Batman — brincou o secretário municipal da Casa Civil, Eduardo Cavaliere.
Segundo o secretário, o novo parque da Pavuna será implantado entre as ruas Marechal Guilherme e Iguaba Grande, em um terreno que é da prefeitura. O local, que originalmente era usado parcialmente pela população como campo de pelada, fica próximo ao condomínio Village Pavuna e de acessos à comunidade Chico Mendes, nome oficial do Complexo do Chapadão, que há cerca de dez anos recebeu algumas melhorias na infraestrutura pelo programa Morar Carioca.
Cavaliere acrescenta que o projeto terá uma “pegada ecológica”. O plano inclui o plantio de dezenas de mudas de plantas, inclusive espécies nativas da Mata Atlântica, já um pouco crescidas, medindo entre 3 e 5 metros, para que o espaço de lazer seja inaugurado com áreas de sombra. A estratégia é amenizar o microclima da região, combatendo ilhas de calor. A intervenção, em nível local, ajuda na meta do município estabelecida com outras metrópoles do mundo de adotar medidas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa. No caso do Rio de Janeiro, o objetivo é, até 2030, reduzir as emissões em 20% em comparação com o ano de 2017.
Apesar de o visual lembrar a entrada do Parque Madureira, o “caçula” é cerca de dez vezes menor: terá 17 mil metros quadrados. Mas o projeto da Fundação Parques e Jardins (FPJ) prevê alguns equipamentos semelhantes aos oferecidos hoje em Madureira, entre os quais, uma pista de skate, uma espécie de praia artificial, quadras de basquete poliesportiva, academia da terceira idade, quiosques e parquinho infantil. Mesas de jogos também serão instaladas.
— O espaço não estava sendo tão aproveitado. É importante ter uma área como essa. Boa parte da população tem perfil de baixa renda e poucas opções para se distrair — diz Fernando Fernandes, presidente do Clube Pavunense.
Moradora do Village, uma servidora pública que prefere não se identificar, elogiou a iniciativa. Mas disse que prefere aguardar um pouco para ver se haverá condições de segurança para frequentar a área, pela proximidade do Chapadão:
— Se for seguro, será um sucesso. Desde que não haja risco para os meus dois filhos, vou frequentar — disse ela, que é mãe de um casal, um menino de 8 anos e uma menina de 12.
O “farol da Pavuna” se somará a outros parques em construção pela cidade do Rio de Janeiro que devem ser concluídos em 2024, em pleno ano eleitoral, quando o prefeito Eduardo Paes também tentará a reeleição. Na Zona Oeste, há duas semanas, começaram as obras do Parque lnhoaíba/Cesário de Mello — cujo nome definitivo ainda será escolhido por uma votação aberta ao público pelo prefeito nas redes sociais.
Lá, uma das grandes referências será a piscina em que o americano Michael Phelps nadou nos Jogos Olímpicos do Rio. A estrutura, que ficava no Centro Aquático do Parque Olímpico, uma arena provisória, será remontada no novo espaço de lazer.
Em Realengo, também na Zona Oeste, o Parque Jornalista Susana Naspolini terá cinco torres que imitam jardins artificiais, medindo entre 17 e 40 metros, com passagens para o público entre elas, inspirado no Gardens by The Bay, de Cingapura, um dos parques mais visitados do mundo. Informalmente, essa cenografia já está sendo chamada de “árvores do Avatar”, por ser parecida com algumas imagens vistas no filme de ficção científica.
E na Barra da Tijuca, uma área de lazer em implantação no Parque Olímpico vai homenagear a cantora Rita Lee, já que, em parte do espaço, também é realizado o Rock in Rio.
Com informações do GLOBO.





