A revitalização do Jardim de Alah, que divide os bairros de Ipanema e Leblon, começou a sair do papel. O prefeito Eduardo Paes assinou nesta quarta-feira (8) o contrato de concessão com o Consórcio Rio Mais Verde, que prevê a manutenção da área e intervenções no paisagismo. O espaço poderá ser explorado pelo consórcio, com a instalação de bares e restaurantes. A expectativa é que todo o plano de revitalização do Jardim de Alah seja executado e entregue para a população até o fim do primeiro semestre de 2025.
— Ali entre Ipanema e Leblon, você tem uma fratura. É um espaço público largado. A má conservação está óbvia ali. É uma mudança histórica para a cidade — destacou Paes.
A partir do momento em que for dada a ordem de início, o consórcio terá 60 dias para apresentar os projetos básicos para análise da prefeitura. Depois, serão outros 60 dias para entregar os projetos executivos. Iphan, Inepac e o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade terão que ser consultados.
— Agora vem a fase do licenciamento. A importância do projeto é que o Jardim de Alah, em lugar de uma barreira, sirva de integração entre os bairros de Ipanema e Leblon — explicou o secretário de Integração Governamental, Jorge Arraes.
— Essa área está abandonada há 40 anos. Nosso projeto é uma acupuntura urbana. Os únicos ocupantes hoje do parque são os cachorros. Ao implantarmos um equipamento como esse terá um efeito imediato de requalificação de todo o entorno. E o projeto tem um fator importante de integração social com a Cruzada São Sebastião — explicou o arquiteto Miguel Pinto Guimarães.
O Consórcio Rio Mais Verde deve assumir a gestão do Jardim de Alah a partir de janeiro, mesmo antes da execução das obras. A previsão é do secretário Jorge Arraes e do arquiteto Miguel Pinto Guimarães, com base em prazos estabelecidos pela concessão. Com isso, passam a ser feitos pelo grupo todos os serviços de conservação, como limpeza, manutenção, iluminação pública e segurança.
— Temos uma equipe que está dimensionando os efetivos — disse Miguel.
Os empresários pretendem retirar as grades que cercam o Jardim de Alah para integrar melhor o espaço aos bairros de Ipanema e Leblon. Mas isso só ocorrerá quando todas as intervenções forem concluídas em 2025.
— As grades terão duas funções. Vão servir de apoio aos tapumes e preservar o elemento surpresa de como ficará o espaço — acrescentou Miguel. O investimento total será de R$ 110 milhões, além de outros R$ 20 milhões por ano em manutenção. Além disso, o consórcio pagou R$ 18 milhões pela outorga da concessão do espaço, com serviços tais como um mercadinho, além de restaurantes e bares. Eles serão posicionados de frente para o muro do clube Monte Líbano.
— Mas será um manifesto da não arquitetura, pois as construções estão ocultas na paisagem. O Jardim de Alah continuará aberto à população com a manutenção dos espaços verdes — acrescentou Miguel Pinto Guimarães.
O secretário lembrou que a proposta da concessão incorporou sugestões de moradores em audiência pública realizada antes da concorrência. Entre as modificações, estão a inclusão da construção de uma creche para atender principalmente a moradores da Cruzada São Sebastião.
— É um casamento do setor público com a iniciativa privada. Serão 95 mil metros quadrados de área verde. Vamos dialogar com todo mundo: prefeitura, moradores. Será um time grande tratando da gestão do Jardim de Alah. O espaço vai integrar os bairros da cidade. Aposto que temos o apoio de 99% da população, dentro de uma visão democrática — disse o empresário Alexandre Accioly, presidente do Consórcio Rio Mais Verde.
Paes acrescentou que, há décadas, busca-se uma solução para a cidade.
— Essa é uma luta de 40 anos. No governo do ex-prefeito Cesar Maia (2001-2004) fui secretário de Meio Ambiente. Tentei tirar as grades para buscar a integração e melhorar a área e fui impedido pela Justiça. Precisamos enfrentar o conservadorismo e recuperar um local abandonado — disse o prefeito.
Ele acrescentou:
— Ser contra esse projeto, colocando faixas de protesto é de um egoísmo burro, que não me mobiliza. No passado, demolimos a Perimetral, e o porto foi revitalizado. A Prainha tem aquele movimento todo hoje, inclusive de quem era contra derrubar a Perimetral. Além disso, a gente tem um hábito terrível de responsabilizar a prefeitura por tudo. É um escândalo gastar R$ 1,5 bilhão por ano na Comlurb para limpar nossa lambança.
Paes disse que, nas áreas que não interessam ao setor privado, o município arca com investimentos em áreas públicas:
— O Rio corrige as fraturas da cidade. O parque mais bonito do Rio será o de Realengo, com show de luzes todo dia. Em Piedade, desapropriamos a Gama Filho para fazer uma nova área de lazer — exemplificou o prefeito.
Com informações de O Globo





