Pré-candidato ao governo, Haddad estreia inserção na TV com foco em obras federais em São Paulo

Ex-ministro destaca investimentos do governo Lula e amplia disputa com Tarcísio por protagonismo em grandes projetos

O PT inicia nesta semana a veiculação das primeiras inserções partidárias na televisão com o ex-ministro Fernando Haddad como pré-candidato ao governo de São Paulo. As peças destacam investimentos do governo federal em obras no estado e reforçam o papel da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na viabilização de projetos de infraestrutura.

Os materiais já haviam sido divulgados nas redes sociais do partido e de Haddad. Em uma das inserções, Lula aparece conversando com o ex-ministro por telefone. Em outra, Haddad apresenta sozinho os argumentos sobre os investimentos federais.

Disputa por protagonismo nas obras

Sem citar diretamente o governador Tarcísio de Freitas, apontado como principal adversário, Haddad afirma que o governo estadual não evidencia a participação da União nas obras em andamento.

“Repasses diretos, financiamentos via BNDES, garantias para empréstimo e a renegociação da dívida de São Paulo, que eu mesmo conduzi como ministro da Fazenda, viabilizando essas obras, mas isso eles não revelam. Mas tudo bem, porque nossa parceria é com você, o povo de São Paulo”, diz o pré-candidato no material.

Investimentos e projetos citados

As peças publicitárias destacam uma série de iniciativas financiadas com recursos federais, incluindo o trecho Norte do Rodoanel, o Trem Intercidades que ligará São Paulo a Campinas, além da expansão de linhas do metrô, como a Linha 2 (Verde).

Também são mencionados investimentos em hospitais, equipamentos de saúde e programas habitacionais vinculados ao Minha Casa Minha Vida. Em outra inserção, Haddad define o estado como “o grande motor da economia do país” e afirma que “nunca um governo federal trabalhou tanto por São Paulo”, enquanto Lula declara que “São Paulo merece muito mais”.

Troca de críticas entre gestões

A disputa sobre a autoria e o protagonismo das obras tem sido recorrente nos últimos meses. Em março, Lula afirmou, durante evento em São Paulo, que projetos financiados com recursos federais são apresentados pelo governo estadual como se fossem exclusivamente estaduais.

“Tanto o trem, quanto o túnel e metrô, é dinheiro financiado pelo BNDES em nome do governo federal. Aqui em São Paulo, praticamente 60% das casas construídas são do Minha Casa, Minha Vida, que aqui eles dão o nome de Casa Paulista. E o governador tem inaugurado muitas dessas casas, ele poderia pelo menos ter a singeleza de dizer ‘essas casas são feitas pelo governo federal, e eu pedi licença para chamar de Casa Paulista’”, declarou.

Dias depois, Tarcísio rebateu as críticas durante evento no Palácio dos Bandeirantes.

“Quem não tem o que mostrar tem que viver de narrativa, de propaganda. O problema é que o cidadão já não se enxerga mais na propaganda. Quando alguém tem que vir para SP para participar de determinadas entregas para dizer ‘o BNDES financiou isso’, ou seja, está celebrando operação de crédito, que é obrigação do banco, como se a operação de crédito fosse um favor. É o core do banco, se o BNDES não existir para financiar a infraestrutura vai existir para que?”, afirmou.

Cenário eleitoral em construção

O embate entre as duas gestões também já havia sido evidenciado em outras ocasiões, como durante a inauguração de obras viárias, quando houve divergências sobre a participação de diferentes governos nos projetos.

Com a entrada de Haddad na propaganda eleitoral partidária, a disputa ganha novo impulso e tende a intensificar o debate sobre investimentos e políticas públicas no estado nos próximos meses.

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