Ponte que caiu entre Tocantis e Maranhão teve processo para contratação de empresa de reparos interrompido em maio

Pelo menos oito veículos caíram no rio Tocantins, que passa sob a ponte, incluindo caminhões transportando ácido sulfúrico e pesticidas; presença de substâncias tóxicas na água dificulta as operações de busca e resgate

O Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT), vinculado ao governo federal, iniciou em maio deste ano um processo para contratar empresas e realizar a reforma da ponte Juscelino Kubitschek, que desabou no último fim de semana. Contudo, o processo não avançou.

O colapso da estrutura resultou em quatro mortes confirmadas e 13 pessoas ainda estão desaparecidas. Pelo menos oito veículos caíram no rio Tocantins, que passa sob a ponte, incluindo caminhões transportando ácido sulfúrico e pesticidas. A presença de substâncias tóxicas na água dificulta as operações de busca e resgate.

Documentos do DNIT que justificavam a necessidade de reparos na ponte, construída na década de 1960, destacavam “vibrações excessivas e desgaste visual em suas estruturas e no pavimento”. Um relatório elaborado em 2020 pelo órgão já alertava para problemas graves, como fissuras, rachaduras e inclinações nos pilares. Na época, o documento recomendava ações de “recuperação, reforço e reabilitação” da estrutura, medidas que, aparentemente, não foram implementadas antes do acidente.

O conteúdo do relatório foi divulgado inicialmente pelo site Metrópoles. O g1 teve acesso aos documentos.

A ponte tem 533 metros de extensão e liga as cidades de Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO), pela BR-226. Ela integra o corredor rodoviário Belém-Brasília e é uma rota muito importante para transporte de cargas.

O edital de concorrência, de maio deste ano, diz ainda, que “tais manifestações patológicas e deficiências funcionais podem ser consideradas típicas para estruturas que datam daquela época de construção, tendo em vista a sua utilização e intervenções ao longo dos anos em serviço, apresentando, conforme pode ser observado nas inspeções realizadas, queindicam a necessidade de reabilitação”.

“Dessa maneira, a reabilitação desta OAE se faz necessária para que sua integridade e segurança passem a ser compatíveis com as normas atuais”, acrescenta o DNIT, no termo de licitação.

“A contratação que por hora é proposta tem como objetivo dar melhores condições de segurança e trafegabilidade na rodovia BR-226/230, que interliga os estados do Maranhão e Tocantins, e reabilitar e aumentar a sobrevida desse importante e histórico patrimônio público da infraestrutura rodoviária federal”, diz o termo de licitação.

Informa, também, que a empresa contratada “deverá realizar intervenções na infraestrutura, mesoestrutura e superestrutura da Ponte JK”.

A licitação, entretanto, acabou não contratando nenhuma empresa para a realização da obra. Segundo comunicado em novembro, “houve interessados no processo licitatório em epígrafe, mas que não preencheram os requisitos necessários, sendo, portanto, inabilitados ou desclassificados”.

Problemas identificados em 2020

Antes do início da licitação, em maio deste ano, o DNIT já havia feito estudos sobre a ponte e encontrado uma série de problemas, relatados por meio do anteprojeto de recuperação, reforço e reabilitação da ponte, datado de 2020. Entre os destaques, estão:

  • No documento, o órgão relata que, “durante a extração de testemunhos de concreto da laje, constatou-se diferenças significativas entre as espessuras das camadas de asfalto ao longo da ponte”.
  • Foram observados, também, danos observados no bloco do P7 (pilar 7), com significativa variação da geometria do bloco, além de “danos observados no bloco do P8, com significativa variação da geometria do bloco”.
  • O documento informa ainda haver “meio do vão de 140m, detalhe da protensão externa na parte inferior”, ou seja, o início de uma rachadura grande, detectado por uma foto.
  • Relata “fissuras no cobrimento da protensão externa, no meio do vão principal da ponte (140m) e na seção do apoio P6”.
  • Foi encontrada “rachadura observada no topo do pilar ocotogonal, ocorrência nos apoios P14, P15 e P16”.  

Com informações do g1.

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