Poluição do ar pode favorecer desenvolvimento da doença de Parkinson, apontam estudos

Estudos mostram que exposição prolongada a resíduos na atmosfera guarda ligação com surgimento de novos casos da doença, aumento de internações hospitalares e mortalidade prematura de pacientes

A poluição do ar é fator de risco crítico para o surgimento e agravamento de diversas doenças respiratórias e cardiovasculares, sendo a principal causa ambiental e a quinta causa geral de mortalidade em todo o mundo.

Cerca de 9 milhões de mortes prematuras no mundo anualmente estão ligadas à poluição, sendo 6,7 milhões destas relacionadas à do ar, 1,4 milhão à da água e 900 mil à intoxicação por chumbo.

As várias formas de poluentes, como dióxido de enxofre, chumbo, ozônio, monóxido de carbono e material particulado fino (partículas com diâmetro de até 2,5 micrômetros) promovem efeitos deletérios ao meio ambiente e à saúde humana.

Esse material é o tipo mais nocivo de poluição atmosférica e tem origem natural (como atividades vulcânicas e incêndios florestais), ou humana (queima de combustíveis por veículos, fornalhas, fábricas e usinas). Ele também resulta da construção de estradas, queima de lixo doméstico ou industrial e fumaça de tabaco de cigarros, narguilés e incensos.

Infelizmente, dados recentes apontam que aproximadamente 90% da população mundial vive em áreas onde a concentração de material particulado fino ultrapassa o limite de exposição definido pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Evidências epidemiológicas também têm demonstrado o impacto negativo da poluição do ar em distúrbios que afetam o cérebro humano, incluindo condições neurodegenerativas como a doença de Parkinson.

Essa é uma das doenças neurodegenerativas progressivas mais comuns associadas ao envelhecimento, atingindo aproximadamente 2% da população mundial com idade superior a 65 anos.

Apesar do avanço da idade ser considerado a principal causa da doença, fatores genéticos (alterações específicas nos genes em alguns casos familiares) e ambientais (exposição a pesticidas, solventes, ingestão de água de mina de poço e traumatismos cranioencefálicos de repetição) podem estar associados ao seu desenvolvimento.

Na última década, os efeitos prejudiciais da poluição do ar na saúde cerebral se tornaram uma preocupação emergente de médicos e cientistas.

Diversos estudos têm demonstrado que a exposição prolongada ao material particulado fino está associada ao desenvolvimento do Parkinson e ao aumento de internações hospitalares e mortalidade prematura em pessoas com a doença.

Existem vários mecanismos pelos quais a poluição do ar pode promover dano cerebral e causar o Parkinson, como o estresse oxidativo (desequilíbrio entre a geração de compostos oxidantes e a atuação dos sistemas de defesa antioxidante do nosso organismo) e a neuroinflamação.

De fato, tem sido verificado que o estresse oxidativo crônico resultante da exposição prolongada a poluentes atmosféricos contribui para a natureza progressiva da doença.

Em paralelo, a inalação pode desencadear inflamação cerebral, ativando células capazes de liberar proteínas pró-inflamatórias no tecido cerebral.

Além disso, a disfunção mitocondrial (falha na capacidade da célula de converter nutrientes em energia), uma característica patogênica do Parkinson, pode levar à redução da síntese de moléculas que transportam energia dentro das células e ao aumento do estresse oxidativo, que é potencialmente exacerbado pelos poluentes ambientais.

A poluição do ar é problema global de saúde pública. Para amenizar seus impactos na saúde humana, devemos sensibilizar e orientar a população, reduzir ao máximo o tempo de exposição aos poluentes e adotar um estilo de vida saudável, com dieta nutritiva e exercícios físicos regulares.

No entanto, a maneira mais eficaz de proteger a saúde da população segue sendo reduzir ao máximo a poluição atmosférica nas fontes geradoras.

Com informações da Folha de S. Paulo.

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