O policial penal José Rodrigo da Silva Ferrarini, preso por atirar no entregador Valério Júnior na última sexta-feira (29), já acumulava antecedentes criminais e disciplinares. Ele foi condenado por agredir a ex-mulher e também investigado por dirigir um carro clonado. Após audiência de custódia, a Justiça decidiu manter sua prisão temporária.
Ferrarini está detido no Presídio Constantino Cokotós, em Niterói, unidade destinada a agentes de segurança. Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), foram abertos um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e uma sindicância — o primeiro relacionado ao carro clonado e o segundo ao disparo contra o entregador.
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou ao Agenda do Poder que foram abertos um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o policial e uma sindicância. Sendo a primeira pelo carro clonado e a segunda por atirar em Valério.
“Nesses casos, a suspensão preventiva pode ser aplicada por até 90 dias em cada processo. Se confirmados dois PADs, o afastamento cautelar poderá chegar a 180 dias. Essa medida, no entanto, só terá efeito prático quando e se o servidor for colocado em liberdade, já que atualmente está preso”, diz a nota.
Carro clonado
Em janeiro de 2025, Ferrarini foi preso em flagrante pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) ao dirigir um veículo clonado na Rodovia Presidente Dutra, em Duque de Caxias. Ele pagou fiança e respondeu em liberdade.
Agressão contra a ex
O agente também foi condenado a três anos e dez meses de prisão, em regime aberto, por lesão corporal contra a ex-companheira, em 2016.
A pena foi convertida em suspensão condicional do processo. No âmbito administrativo, ele recebeu 20 dias de suspensão.
O tiro no entregador
O caso mais recente ocorreu na noite de sexta-feira (29), na Rua Carlos Palut, no conjunto habitacional Merck. Segundo a investigação, Ferrarini exigiu que o entregador subisse até seu apartamento, mas Valério se recusou e sugeriu que a retirada fosse feita na portaria.
O policial desceu até a entrada do prédio, discutiu com a vítima e atirou em seu pé direito.
O momento foi filmado e compartilhado nas redes sociais. Mesmo ferido, o entregador pediu ajuda a vizinhos e foi levado ao hospital, mas deixou a unidade com a bala alojada. Ferrarini foi preso no domingo (31).
Arma ‘disparou acidentalmente’
Ferrarini alegou à polícia que o disparo teria sido acidental. A versão foi sustentada tanto antes quanto depois da prisão.
O delegado Marcos Buss, da 32ª DP (Taquara) relatou que, antes da repercussão do caso, o próprio Ferrarini procurou a delegacia para comunicar o episódio.
“No primeiro momento, quando nós ainda não tínhamos contato com nenhum outro elemento de formação, ele disse que de fato tinha se envolvido em uma discussão com o entregador, e durante essa discussão, a arma que ele trazia consigo disparou acidentalmente e atingiu o pé do entregador. Essa foi a primeira versão que ele apresentou e que ainda mantém”, disse Buss ao Agenda do Poder.
Inicialmente, Ferrarini foi liberado após prestar depoimento. Com a divulgação das imagens, o delegado solicitou a prisão temporária, expedida pelo Plantão Judiciário e cumprida no domingo. A Seap também o afastou preventivamente por 90 dias.
“A Seap repudia a conduta atribuída ao servidor e informa que todos os casos seguem sob apuração da Corregedoria e acompanhamento junto às autoridades competentes”, ressaltou em nota.
Posicionamento do iFood
O iFood divulgou nota repudiando o ato de violência e reforçando que os entregadores não são obrigados a subir até os apartamentos. A empresa relembrou a campanha “Bora Descer”, lançada em 2024 no Rio de Janeiro, para estimular clientes a receberem os pedidos na portaria.
A plataforma informou ainda que Valério terá acesso ao apoio jurídico e psicológico por meio da Central de Apoio criada em parceria com a organização Black Sisters in Law.






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