Integrantes do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Distrito Federal apresentaram novos detalhes sobre a inércia dos militares do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), vinculada ao Exército, durante a invasão do Palácio do Planalto no ato golpista do dia 8 de janeiro. Os relatos constam de depoimentos e relatórios produzidos pelos policiais militares que atuaram diretamente no combate aos golpistas.
A reportagem é do UOL.
Um dos relatórios mais contundentes foi feito pelo então primeiro-sargento Beroaldo José de Freitas Júnior, que estava na defesa do Palácio do Planalto quando os golpistas forçavam a invasão do prédio. Em maio, ele foi promovido a subtenente por sua atuação no 8 de janeiro. De acordo com Beroaldo, os policiais militares pediram ajuda a um pelotão do Exército que estava equipado e de prontidão na área externa do Planalto, mas a resposta foi negativa.
Em seu relatório, Beroaldo conta que, diante da recusa do Batalhão de Guarda Presidencial em ajudar na contenção dos manifestantes, ele mesmo chutou um trecho da grade de proteção do Palácio do Planalto para entrar no seu território e abrigar a tropa de choque lá, formando uma linha de defesa em conjunto com os militares do Exército. Logo, porém, os militares recuaram e deixaram a linha de defesa, conforme relatou o policial militar.
Os policiais militares relatam que, após efetivarem a prisão de golpistas que ocupavam os prédios dos Três Poderes, seguiram para o quartel-general do Exército com o objetivo de efetuar prisões de manifestantes golpistas que estavam no local ainda no dia 8 de janeiro. A versão de diversos policiais é semelhante: a ação policial foi barrada por ordem da cúpula do Exército, que chegou a posicionar veículos blindados na entrada do quartel-general.
Marco Aurélio Feitosa, segundo-tenente da Polícia Militar do DF, disse em depoimento que o comandante do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), tenente-coronel do Exército Jorge Fernandes da Hora, tentou impedir a prisão dos invasores no Palácio do Planalto após a tropa de choque ter retomado o território.





