A Polícia Civil de São Paulo prendeu três integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) suspeitos de envolvimento direto no assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes. As prisões fazem parte de uma operação que cumpriu mandados em diferentes cidades do estado e reforça a tese de que o crime foi ordenado pelo alto escalão da facção como represália à atuação do policial no enfrentamento ao crime organizado.
De acordo com a polícia, foram expedidos cinco mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão em Jundiaí, Mongaguá, Praia Grande, Carapicuíba, Barueri, Mairinque e na capital paulista. Até a última atualização da investigação, três suspeitos haviam sido capturados.

Os três suspeitos presos/Reprodução TV Globo
Um deles é Marcio Serapião de Oliveira, conhecido como Velhote ou MC, apontado como integrante do PCC e investigado por prestar apoio estratégico e logístico à execução. Segundo a Polícia Civil, há indícios de que ele tenha participado da guarda de veículos utilizados no crime, do uso de imóveis de apoio e da ocultação de provas. Marcio foi preso no bairro Vila Isa, na região de Interlagos, na Zona Sul de São Paulo. Durante a abordagem, tentou fugir, mas era monitorado por drones. Com ele, foram apreendidos documentos e dois celulares.
Outro preso é Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Azul ou Careca, considerado um dos principais articuladores do mando do crime. As investigações indicam que ele atuou no planejamento, na coordenação logística e na execução indireta da ação criminosa. Fernando foi capturado em Jundiaí, no interior paulista, e teve dois telefones celulares apreendidos.
O terceiro detido é Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Manezinho ou Manoelzinho. Segundo a polícia, ele teria exercido papel central na logística e na operação, ajudando na fuga dos envolvidos, fornecendo meios materiais e mantendo a ligação entre os executores. Manoel foi preso em Mongaguá, no litoral de São Paulo, onde também foi apreendida uma arma de fogo.
O espaço segue aberto para a defesa dos suspeitos
Provas e indícios reunidos
As investigações apontam que os suspeitos atuaram de forma organizada, com tarefas bem definidas. A Polícia Civil reuniu impressões digitais encontradas em veículos usados no crime, além de dados extraídos de celulares e outros dispositivos eletrônicos apreendidos. Também foram identificadas movimentações financeiras suspeitas, vínculos entre os investigados e o uso de imóveis que teriam servido como base de apoio à ação criminosa.
Segundo os investigadores, os endereços ligados aos suspeitos podem guardar armas, documentos e equipamentos eletrônicos que ainda podem ajudar a esclarecer detalhes do assassinato.
Execução ordenada pela cúpula da facção
No total, oito pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público pela participação no homicídio. Uma das hipóteses iniciais, de que o crime teria relação com a atuação de Ruy Ferraz como secretário municipal em Praia Grande, foi descartada. A denúncia elaborada pelo Gaeco, grupo do MP especializado no combate ao crime organizado, afirma que a morte foi encomendada pela chamada “sintonia geral”, o núcleo de comando do PCC.
Ruy Ferraz ingressou na Polícia Civil no início dos anos 1980 e teve uma carreira de mais de quatro décadas em unidades estratégicas, como Denarc, Dope e Deic. No início dos anos 2000, tornou-se conhecido por divulgar organogramas da estrutura do PCC e, em 2006, liderou o indiciamento da cúpula da facção, incluindo Marcos Camacho, o Marcola.
Um relatório policial indica que a determinação para matar o ex-delegado existe ao menos desde 2019. Naquele ano, foi apreendida uma carta manuscrita atribuída à liderança da facção, que “cobra a morte de alguns agentes públicos, dentre eles o doutor Ruy Ferraz Fontes”. O documento menciona nominalmente os responsáveis e descreve a missão como parte de uma retaliação interna do grupo criminoso.
Planejamento detalhado e denúncia
A denúncia do Ministério Público descreve um planejamento considerado minucioso, com vigilância prévia da rotina da vítima, montagem de uma cadeia logística envolvendo imóveis de apoio, carros de fuga e obtenção de armamento de uso restrito. Câmeras de segurança teriam sido desligadas para dificultar a apuração dos fatos.
Para o MP, Marcos Augusto Rodrigues Cardoso, apontado como integrante do PCC e responsável pela função de “disciplina” no bairro do Grajaú, na Zona Sul da capital, ocupava posição central na articulação do grupo, atuando como recrutador e organizador da ação.
A motivação do crime, segundo a acusação, é considerada torpe por se tratar de vingança de uma facção criminosa contra um agente público que enfrentou diretamente o chamado “estado paralelo” imposto pelo PCC. O ataque ocorreu em via pública e em horário movimentado, colocando terceiros em risco, o que agravou as acusações.
O Ministério Público afirma que ainda há diligências em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e aguarda decisão do Judiciário sobre o recebimento da denúncia e o prosseguimento da ação penal.






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