Polícia prende ex-PM apontado como chefe da segurança do bicheiro Bernardo Bello

Repolhão é investigado por integrar grupo de extermínio e atuar na morte de advogado em Niterói, em maio de 2022

A Polícia Civil do Rio prendeu, nesta sexta-feira (23)), o ex-policial militar Marcelo Sarmento Mendes, de 60 anos, conhecido como Repolhão, apontado como chefe da segurança do bicheiro Bernardo Bello e envolvido no assassinato do advogado Carlos Daniel Dias André, morto a tiros em Niterói, em 2022. O advogado teria sido executado a mando de Bello.

Repolhão, que estaria escondido sob proteção de milicianos na Zona Oeste, foi localizado em um restaurante de Campo Grande enquanto almoçava com a família. Ele foi expulso da PM por envolvimento na chacina de Vigário Geral, na década de 1990., e estava foragido há três anos.

A ação foi realizada por agentes da 35ª DP (Campo Grande), que receberam informações de inteligência indicando que o investigado buscava refúgio na região, área conhecida pela atuação de milícias armadas.

Suspeito é ligado a outros homicídios

As investigações indicam que o ex-policial também responde por outros crimes graves. Entre eles, a execução do contraventor Alcebíades Paes Garcia, conhecido como Bid, tio da ex-esposa de Bernardo e desafeto dele em razão da disputa de territórios do jogo do bicho. Bid fo assassinado em fevereiro de 2020 na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Em dezembro do ano passado, dois seguranças de Bid foram condenados pelo crime.

Na denúncia apresentada à Justiça, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apontou que o homicídio de Alcebíades Garcia teria sido encomendado por Bernardo Bello. Os dois eram rivais na disputa pelo controle de territórios do jogo especialmente na Zona Sul da capital fluminense.

De acordo com a Polícia Civil, o suspeito preso também é investigado por manter vínculos com outro contraventor e por integrar um dos maiores grupos de extermínio em atividade no Estado do Rio. Desde 2024, a organização criminosa passou a ser alvo de investigações mais amplas, que incluem crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O grupo já havia sido formalmente denunciado pelo homicídio do advogado Carlos Daniel Dias André, crime que segue sob apuração detalhada para identificar todos os envolvidos e mandantes.

Advogado assassinado era ex-policial civil

Carlos Daniel Dias André tinha 41 anos quando foi assassinado a tiros no bairro Cafubá, na Região Oceânica de Niterói. Ex-policial civil, ele foi expulso da corporação em 2011 após ser preso pela Polícia Federal, acusado de transportar traficantes que tentavam fugir do cerco policial na Favela da Rocinha, durante a implantação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

As investigações apontam que a morte do advogado estaria relacionada a disputas internas do crime organizado e à atuação de grupos paramilitares ligados ao jogo do bicho.

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