Em novo trecho da delação, Lessa afirma que foi sondado para executar aliado do ex-prefeito Marcelo Crivella

Por meio de Macalé, Ronnie Lessa começou a receber dinheiro do bicheiro Bernardo Bello, mesmo sem prestar serviços diretamente a ele, mas para que Bernardo pudesse afirmar que ele estava a seu lado

Em sua delação premiada, o ex-PM Ronnie Lessa, assassino confesso da vereadora Marielle Franco, relatou à Polícia Federal uma reunião na qual o bicheiro Bernardo Bello supostamente discutiu com ele o assassinato de Rafael Alves, aliado do ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella. Alves foi apontado por investigações do Ministério Público do Rio como operador do esquema do “QG da propina” na prefeitura carioca durante a gestão de Crivella. Ele era casado com Shanna Harrouche Garcia, uma das herdeiras do bicheiro Valdomiro Paes Garcia, o Maninho. O espólio de Maninho, assassinado em 2004, é alvo de uma violenta disputa familiar entre Shanna Garcia e Bernardo Bello. As informações são do colunista Guilherme Amado, do Metrópoles.

Bernardo foi casado com Tamara Garcia, irmã gêmea de Shanna, e nos últimos anos dominou os pontos de bicho e máquinas caça-níqueis dos territórios que antes eram controlados por Maninho.

Lessa afirmou à PF que o ex-PM Edmilson Oliveira da Silva, conhecido como Macalé, realizava trabalhos para Bernardo. Através de Macalé, Ronnie Lessa começou a receber dinheiro do bicheiro, mesmo sem prestar serviços diretamente a ele, mas para que Bernardo pudesse afirmar que Lessa estava a seu lado.

Segundo o delator, Macalé o levou para uma reunião na casa de Bernardo Bello, onde conversaram em uma “sala surda”, ou seja, um cômodo à prova de grampos.

Na ocasião, de acordo com Ronnie Lessa, o nome de Rafael Alves foi mencionado como um alvo de Bernardo Bello.

Lessa disse que ficou “bem entendido” que Bernardo via em Alves uma ameaça, por ele estar casado com Shanna Garcia e poder reivindicar, ao lado dela, parte do espólio de Maninho na contravenção.

Segundo o delator, no entanto, ele disse a Macalé que uma morte de Alves teria repercussão, já que ele era irmão do então presidente da Riotur, Marcelo Alves. Ronnie Lessa relatou à PF que, na ocasião, lembrou a Macalé ter feito a mesma objeção quando eles trataram sobre um possível ataque ao então deputado estadual Marcelo Freixo.

“Então aquilo ali eu falei: Macalé, porra… Mesma coisa que eu falei sobre o Marcelo Freixo, cara… O negócio é complicado, o cara… O cara é irmão do presidente da Riotur, pô. Só. Aí ele falou: ‘porra, tu acha que dá problema?’ Se eu acho? Não, eu tenho certeza, pô. Macalé… aí eu fui empurrando com a barriga”, disse Lessa.

Mais à frente, afirmou Lessa, também a mando de Bernardo Bello, ele e Macalé passaram a monitorar a então presidente do Salgueiro, Regina Celi, aliada de Shanna e Rafael Alves na escola de samba que foi reduto da família Garcia. O crime, no entanto, não foi consumado. Bernardo Bello está foragido atualmente.

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