Polícia francesa se negou a receber objetos pessoais do fotógrafo brasileiro desaparecido em Paris

Caso de Flavio Castro Sousa foi transferido para a brigada especializada em desaparecimentos

A polícia da França se recusou a receber duas malas fechadas com senha e com o iPhone do fotógrafo brasileiro Flávio de Castro Souza, de 36 anos, desaparecido desde o último dia 26. A informação foi confirmada por amigos de Flávio que também moram na França ao jornal Folha de S. Paulo. O Itamaraty está em contato com a família e acompanha a situação.

No dia em que foi visto por último, o fotógrafo deveria ter voado de volta para o Brasil, mas nunca entrou no avião, apesar de ter feito check in. Os pertences foram encontrados por três amigos no apartamento alugado por Flávio em Paris na quarta-feira, dia 27.

Os brasileiros Rafa Basso e Pablo Araújo, além do francês Alex Gautier, levaram duas malas de alumínio e o celular do fotógrafo à delegacia do quinto distrito de Paris. Ao jornal, eles contam que os objetos não poderiam ser aceitos já que o caso foi transferido a uma brigada especializada em desaparecimentos, que ela se encarregaria dos pertences “no momento adequado”.

Ainda segundo a Folha, os amigos se encontrarão com o adido da Polícia Federal brasileira na França, Luiz Roberto Ungaretti de Godoy, nesta terça-feira, dia 3. Na reunião para discutir o caso, a expectativa é que a mala seja aberta.

O que se sabe sobre o caso?

Sem declarações públicas da Polícia da França, não há muitas informações sobre o andamento das investigações. Mas declarações de amigos de Flavio indicam algumas pistas.

Neste domingo, em entrevista à Rádio França Internacional (RFI), Rafa Basso, um amigo mineiro, assim como Flávio, contou que ele se internou após cair no Rio Sena, no próprio dia 26. Mas o fotógrafo teve alta horas depois.

À RFI, Basso, que mora em Paris, disse que testemunhas viram o fotógrafo cair no rio na altura do Café Les Ondes, no 16° distrito da capital, a poucos metros da beira do rio e próximo da Torre Eiffel, no próprio dia 26.

Após o acidente, Flávio deu entrada no hospital Georges Pompidou, segundo o amigo. Em contato com o hospital, Basso recebeu a resposta que Flávio deu entrada às 6 da manhã e saiu ao meio-dia, consciente.

Rafa Basso também fez contato com a agência que intermediou o aluguel do apartamento onde Flávio estava hospedado. Essa agência disse que o fotógrafo foi até o seu escritório, com as roupas molhadas, e pediu a extensão de mais um dia de hospedagem. Em seguida, Flávio teria voltado para o apartamento para tomar banho, arrumar as malas, e dede então não houve mais contato com ninguém.

Em função do desaparecimento, alguns amigos foram ao apartamento e recolheram os pertences de Flávio, incluindo seu passaporte. Já a mala estaria fechada até agora, pois o amigo prefere aguardar a presença da polícia para revistá-la.

O celular de Flávio teria sido encontrado em um vaso de plantas no Café Les Ondes por um funcionário, na quarta-feira, dia seguinte ao sumiço. O aparelho está com Rafa Basso, que afirmou que o levará até a polícia.

— Não sei se é preconceito, mas polícia só diz que ele estava bêbado. Então não sabemos se foi mesmo bebida e se ele estava sozinho ou não respondeu — Rafa Basso à RFI, que não recebeu posicionamento oficial da polícia

Neste domingo (1), em entrevista à CBN, a prima do brasileiro, Joyce Barbosa afirmou que a família ainda aguarda o retorno das autoridades sobre as investigações.

— A Embaixada tem nos dado um apoio muito grande, eles prontamente nos atenderam, nos orientaram como proceder. Realmente, a gente não tem muito o retorno do que está sendo feito, quais são os protocolos da embaixada, da Polícia Federal, também que a gente também acionou. Então, a gente como família fica um pouco ansioso com a resposta, mas a gente sabe que eles estão agindo. Então isso deixa a gente muito confiante de que em breve a gente vai ter notícia — disse Barbosa.

O desaparecimento

Familiares informaram que Flávio estava em Paris desde o dia 1° de novembro. Eles souberam que fotógrafo não tinha embarcado no voo de volta para o Brasil, no dia 26, quando a companhia aérea informou aos familiares que o fotógrafo, apesar de ter feito o check-in, não embarcou.

O mineiro estava em Paris para realizar fotos de um casamento de um casal de brasileiros no dia 4 de novembro. Em seguida, Flávio, que fala francês, teria estendido a estadia para passear pela França. Outro amigo contou à RFI que Flávio estava bem, “curtindo a cidade”.

Os parentes de Flávio divulgaram uma nota afirmando que um amigo de Flávio no Brasil recebeu uma mensagem do francês Alex Gautier na quarta-feira, dia 27, através de uma rede social. Alex informou ao amigo brasileiro que não estava conseguindo contato com o fotógrafo.

Aviso de desaparecimento do fotógrafo brasileiro — Foto: Reprodução / redes sociais
Aviso de desaparecimento do fotógrafo brasileiro — Foto: Reprodução / redes sociais

Os parentes informaram ainda que entraram em contato com a Embaixada do Brasil na França e com a Polícia Federal, informando ainda que pedem a inclusão de Flávio na lista amarela da Interpol, como é conhecido o cadastro de desaparecidos da instituição.

O Ministério das Realções Exteriores afirmou em nota que tem conhecimento do caso e está em contato com as autoridades locais, além de prestar assistência consular aos familiares no Brasil. Procurada, a Polícia Federal não respondeu ao pedido da reportagem.

A última publicação de Flávio numa rede social foi feita na segunda-feira, um dia antes de seu desaparecimento.

Com informações de O Globo

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