Policial da Core morre baleado em operação contra fabricação e venda de gelo contaminado no Rio

Produto com coliformes fecais era distribuído para bares e quiosques da Zona Oeste; agente foi baleado na CDD

Um policial civil da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) morreu após ter sido baleado durante uma operação na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio, na manhã desta segunda-feira (19). José Antônio Lourenço chegou a ser levado em estado grave para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, mas não resistiu. Agentes tentam localizar os envolvidos no homicídio.

Veja o momento em que o policial é socorrido:

O caso aconteceu durante uma ação da Polícia Civil e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que tinha como objetivo desarticular uma rede de fabricação e comercialização de gelo contaminado que abastecia bares e quiosques nas praias da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. A investigação teve início após uma blitz realizada em fevereiro, quando laudos técnicos constataram a presença de coliformes fecais no produto distribuído.

Em um dos endereços alvos dentro da comunidade Cidade de Deus, José Antônio foi baleado e não resistiu. Ele era diretor jurídico do Sindicato dos Policiais Civis.

“A perda de um dos nossos é sentida com dor e indignação. A Sepol se solidariza com os familiares, amigos e colegas neste momento de luto, também vivido por cada um da instituição. As diligências para identificar os responsáveis por esse ataque covarde já estão em andamento”, diz nota da instituição.

O policial estava na corporação desde 2015, e já atuou nas delegacias de homicídios da Capital e Baixada Fluminense, Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro e Departamento Geral de Polícia da Capital.

Durante a tarde, a Linha Amarela precisou ser fechada devido a novos confrontos dentro da comunidade. O Rio Ônibus informou que, por conta disso, 19 linhas de ônibus precisaram ser desviadas de seus itinerários.

A operação

A ação desta segunda é um desdobramento direto das apreensões feitas em fevereiro, quando quatro caminhões carregados com gelo de procedência duvidosa foram interceptados a caminho de pontos comerciais da orla carioca. O material foi submetido a análise laboratorial pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), que produziu um laudo de potabilidade apontando contaminação por coliformes fecais e outras substâncias prejudiciais à saúde humana.

Durante a operação, agentes da Delegacia do Consumidor e do Inea cumpriram 10 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços ligados à produção e ao transporte do gelo.

De acordo com os investigadores, ao menos uma das fábricas responsáveis pela produção irregular funcionava na Cidade de Deus em condições precárias de higiene e sem qualquer tipo de fiscalização sanitária ou licença ambiental. O produto era vendido embalado, sem identificação adequada, a comerciantes da zona litorânea, colocando em risco milhares de consumidores.  

O local foi interditado por uso de água contaminada e um dos responsáveis pelo local foi encaminhado para a delegacia.

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