PM diz que tentou acertar tiro em rapaz na abordagem antes dele ser jogado da ponte em São Paulo

PMs alegaram que estariam dispersando um baile funk nas proximidades e que Marcelo foi perseguido por dirigir uma moto sem placa

Um dos policiais militares envolvidos na abordagem que resultou em um homem sendo jogado de uma ponte, em São Paulo, afirmou ter tentado inicialmente “acertar” o rapaz. A declaração foi feita durante uma conversa entre o policial e advogados em frente ao prédio da Corregedoria da PM, antes do depoimento, e foi registrada em vídeo pelo site Metrópoles.

Na mesma conversa, o policial também mencionou que “teria descido para dar um tiro”. No entanto, devido ao barulho no local, a gravação não conseguiu captar a íntegra do diálogo.

O episódio tem gerado grande repercussão e intensificado os debates sobre o uso excessivo da força por agentes da segurança pública. A Corregedoria da PM segue investigando o caso.

“Alinhadinho ali na base 1 [sic]. Aí vem uma motinho [sic] e de um lado o moleque sai correndo. Aí eu saio de dentro da viatura e tento acertar ele. Não acertei. Desembarquei. Isso quando eu subo, aí é justamente o moleque de azul, eu vi que ele chegou ali em cima [inaudível]. Eu teria descido para dar um tiro [inaudível]. Aí eu pensei muito naquilo [inaudível]” disse o agente para os advogados.

Testemunhas filmaram a abordagem policial, que ocorreu na madrugada de segunda-feira, na Vila Clara, Zona Sul de São Paulo. As cenas mostram três PMs em uma ponte. Um deles encosta uma moto na mureta após uma abordagem, e outro segura pelas costas um homem com camiseta azul. De repente, o PM levanta o rapaz pelas pernas e o joga no córrego.

O homem atirado pela ponte se chama Marcelo do Amaral, de 25 anos, e trabalha como entregador. Após a divulgação das imagens, a Secretaria de Segurança Pública do estado afastou os 13 PMs envolvidos na ação. Eles alegaram que estariam dispersando um baile funk nas proximidades e que Marcelo foi perseguido por dirigir uma moto sem placa.

Marcelo feriu o rosto na queda e foi levado para o hospital depois de ser socorrido por moradores de rua que estavam embaixo da ponte.

— Eu gostaria de uma explicação desse policial aí e o porquê ele fez isso — disse ao Jornal Nacional o pai de Marcelo, o mecânico Antônio Donizete do Amaral.

As imagens do agente jogando um homem da ponte foram classificadas como “estarrecedoras e absolutamente inadmissíveis” pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, que determinou que o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) do Ministério Público acompanhe o caso. “Pelo registro, fica evidente que o suspeito já estava dominado”, disse Oliveira.

Com informações de O Globo.  

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