Entregador arremessado da ponte em São Paulo deixa residência onde morava com medo de represálias policiais

Uma pessoa em situação de rua diz que ouviu a vítima dizendo para o PM ‘o senhor não vai atrasar meu lado, né?’, porque ele seria entregador e não queria perder a moto

Marcelo Barbosa Amaral, o entregador de 25 anos jogado de uma ponte por um policial militar na madrugada de segunda-feira, deixou a cidade de São Paulo por temer represálias. Segundo relatos de parentes e vizinhos na região de Americanópolis, zona sul da capital paulista, Marcelo foi visto pela última vez circulando pelo bairro na terça-feira, antes de sair da cidade.

Moradores afirmaram que ele estava com ferimentos visíveis na cabeça e conseguiu caminhar até o Córrego do Cordeiro após a queda de cerca de três metros. Marcelo não reside mais no endereço vinculado à moto apreendida em seu nome, que consta nos registros como sendo da área onde viveu cerca de seis anos.

O caso gerou grande repercussão, com o policial envolvido enfrentando investigação e pedido de prisão preventiva pela Corregedoria da Polícia Militar. A saída de Marcelo de São Paulo reflete o impacto emocional e a insegurança decorrentes do episódio.

Uma das testemunhas ouvidas pelo Metrópoles afirma que a PM começou a passar pelo local, por volta das 21h, tentando abordar jovens que circulavam em motos pela rua, em meio ao pancadão. O rapaz que foi jogado da ponte pelo policial teria passado ao menos três vezes pelo lugar. Quando tentou passar novamente, teria dado de cara com os PMs, que fizeram a abordagem.

Essa mesma testemunha diz que, depois de ser arremessado, o jovem ainda conseguir sair do córrego caminhando, com a cabeça bastante machucada. Os PMs teriam ido embora e, cerca de dez minutos depois, voltaram com um grande efetivo, que cercou as redondezas da ponte e impediu a aproximação das pessoas. A vítima da violência policial não estava mais por lá.

Uma moradora que presenciou o policial militar arremessando o jovem diz que não acreditou no que viu. Contou que o barulho das festas incomoda bastante, mas considerou como crueldade a maneira como o PM tratou o rapaz.

Uma pessoa em situação de rua diz que ouviu a vítima dizendo para o PM “o senhor não vai atrasar meu lado, né?”, porque ele seria entregador e não queria perder a moto. Na sequência, o rapaz foi arremessado pelo policial.

Segundo a mesma testemunha, outra pessoa teria xingado os policiais. Mas, essa pessoa não seria o rapaz jogado no córrego, que deixou o local com a cabeça bastante machucada.

Com informações do Metrópoles.

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