PM admite ter liberado saque de carga roubada na Zona Norte do Rio por risco à segurança

Caminhão com carga avaliada em cerca de R$ 1 milhão saiu do Mato Grosso e foi interceptado por criminosos armados na Avenida Prefeito Sá Lessa, próximo à Avenida Brasil.

A Polícia Militar admitiu ter liberado o acesso de moradores a uma carga de carne roubada, diante da impossibilidade de garantir a segurança dos agentes e da população durante o episódio ocorrido nesta quarta-feira (6), na comunidade da Pedreira, em Costa Barros, Zona Norte do Rio.

Segundo a corporação, a decisão foi tomada após uma tentativa frustrada de conter uma multidão que cercava o caminhão e os blindados da PM, disputando os produtos. “Os policiais militares, como é a nossa orientação, inicialmente tentaram conter, mas o bem maior a ser protegido é a vida das pessoas”, justificou o secretário estadual de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes.

Carga roubada foi saqueada diante dos PMs

O caminhão, carregado com carne e avaliado em cerca de R$ 1 milhão, saiu do Mato Grosso e foi interceptado por criminosos armados por volta das 10h, na Avenida Prefeito Sá Lessa, próximo à Avenida Brasil. O motorista e um funcionário da transportadora foram levados para dentro da comunidade, onde a carga foi descarregada sob ameaça.

Ambos só foram liberados por volta do meio-dia. Dois blindados da PM chegaram à comunidade logo após e os policiais tentaram recuperar parte da carga, colocando algumas caixas dentro de um dos veículos. Porém, rapidamente, uma multidão cercou o local e começou a retirar a carne, inclusive por baixo do caveirão.

Spray de pimenta foi usado para dispersar a população, mas não teve efeito. Diante da escalada da confusão e da aglomeração crescente, os agentes recuaram e permitiram o saque. Pessoas se empurravam e corriam, enquanto os produtos eram levados em poucos minutos. O blindado chegou a passar por cima de parte da mercadoria.

Imagens mostram população saqueando carne na frente da PM

As cenas foram captadas tanto pelo RJ1, da TV Globo, quanto pelo Balanço Geral, da Record. Ambos os telejornais exibiram imagens de dezenas de moradores saqueando a carga sob os olhos dos policiais. Houve correria, empurrões e, segundo testemunhas, pessoas chegaram a ser pisoteadas. Não há registro oficial de feridos graves.

A carga remanescente — cerca de 40 caixas — foi levada para a Cidade da Polícia. O motorista e o ajudante prestaram depoimento, mas não quiseram dar entrevistas.

A PM promete reação: ocupação da comunidade e busca pelos criminosos

Após o episódio, o coronel Marcelo de Menezes determinou a ocupação imediata da comunidade da Pedreira e reforço no policiamento. “Determinei o deslocamento de um reforço policial para ocupar essa comunidade. Vamos perseguir e tentar prender os autores desse delito”, afirmou o secretário.

A ocorrência foi registrada na 39ª DP (Pavuna). Segundo a PM, o caminhão foi localizado em uma área da Pedreira conhecida como “Bin Laden”.

Roubo de cargas em alta: prejuízo bilionário e insegurança nas vias

O roubo de cargas é um problema crescente no Rio. De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), o estado registrou 1.575 casos no primeiro semestre de 2025 — alta de 27% em relação ao mesmo período do ano passado (1.234 casos).

A área do 41º BPM (Irajá), responsável pelo Complexo da Pedreira, teve o maior aumento percentual: 202 casos de janeiro a junho deste ano, contra 96 em 2024 — alta de 110%.

Apesar disso, dados mais específicos da Pedreira mostram uma leve redução: de 112 casos em 2024 para 92 em 2025 (-17,25%).

Os principais alvos das quadrilhas são caminhões de alimentos, eletrônicos e medicamentos, com ações concentradas em regiões da Zona Norte, Zona Oeste e municípios da Baixada Fluminense. Muitas dessas ocorrências acontecem em vias expressas como a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e o Arco Metropolitano, expondo motoristas e passageiros ao risco constante.

Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas (Sindicarga), Filipe Coelho, o impacto vai além das empresas. “Transportar carne no Rio de Janeiro é mais caro do que em outros estados. Isso afugenta investimentos, negócios, empregos e a arrecadação do governo”, alertou.

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