O número de beneficiários de planos de saúde no Brasil atingiu um recorde de 51,4 milhões em setembro, impulsionado principalmente pelo aumento de planos coletivos empresariais, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A quantidade de usuários cresceu 1,57% em comparação ao ano anterior e 1,56% no acumulado de 2024, mas, de acordo com especialistas, o crescimento ainda está abaixo do potencial do setor. Para analistas, é necessário ampliar o acesso a esses serviços, que continuam sendo um dos mais desejados pela população.
A principal força desse avanço vem dos planos empresariais, que aumentaram em 1,1 milhão de beneficiários nos últimos 12 meses. Marcos Novais, da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), relaciona esse crescimento ao aquecimento do mercado de trabalho, que gerou 1,9 milhão de vagas em 2024. No entanto, nem todos os empregados foram contemplados com planos de saúde, demonstrando, segundo ele, que ainda há espaço para expansão dentro das empresas.
Apesar dos bons resultados nos planos empresariais, houve retração nas modalidades individuais e coletivas por adesão. Em setembro de 2024, o número de beneficiários de planos individuais e familiares caiu em 46.396 pessoas em relação ao ano anterior, somando atualmente 8,76 milhões de usuários. Esse declínio reflete a baixa oferta de planos individuais por parte das grandes operadoras, que alegam dificuldade em manter a sustentabilidade financeira desses contratos devido ao teto de reajuste fixado pela ANS. Já os planos coletivos por adesão, contratados por entidades de classe, registraram queda de 290.971 beneficiários no mesmo período.
Adriano Londres, da consultoria Arquitetos da Saúde, destaca que o aumento recente pode estar associado a receios da pandemia, e questiona se o setor não deveria repensar seu modelo de acesso para ampliar o número de usuários. Para ele, é necessário um debate equilibrado sobre segmentação de produtos, revisão dos métodos de reajuste e ações estruturantes para destravar gargalos que limitam o crescimento.
Uma das principais discussões envolve a criação de um plano “porta de entrada”, com cobertura básica para consultas e exames. A regulação atual, porém, não permite essa modalidade, o que dificulta o acesso inicial de uma parcela significativa da população aos serviços de saúde suplementar. Com o crescimento nos planos empresariais e o decréscimo nas demais modalidades, o setor se vê diante de um cenário que exige ajustes para atender a uma demanda que permanece reprimida.
Com informações de O Globo





