A eleição pode atrapalhar os planos do PL para as eleições municipais do Rio no próximo ano. Integrantes do PL temem que operação deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira voltada à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) possa afetar seus planos atuais.
O receio, segundo informações da coluna de Bela Megale no Globo, é que as investigações cheguem a atingir diretamente o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-chefe da Abin no governo Bolsonaro e cotado internamente para concorrer à prefeitura do Rio. Ramagem, esteve à frente do órgão quando o uso de um sistema que realiza monitoramento ilegal de pessoas foi feito de maneira mais extensa.
Logo que a ação foi deflagrada pelos policiais, nesta manhã de ontem, aliados e auxiliares de Bolsonaro foram a campo levantar até que ponto a investigação teria potencial de implicar Ramagem.
Na operação deflagrada dessa sexta-feira, dois agentes foram presos e cinco afastados. Ramagem não foi alvo. No processo administrativo disciplinar que esses servidores responderam, o ex-chefe da Abin não foi citado.
Os investigadores identificaram que os agentes da Abin utilizaram a ferramenta mais de 30 mil vezes. A PF conseguiu detalhar 1.800 usos relacionados a políticos, jornalistas, advogados, integrantes do Judiciário e adversários do governo Bolsonaro.
O sistema FirstMile, criado empresa israelense Cognyte, foi adquirido pelo governo de Michel Temer, mas teve ampla utilização pela Abin na gestão de Jair Bolsonaro, com Ramagem à frente da agência.
Próximo ao ex-presidente e a seus filhos, Ramagem é apontado como opção do PL para concorrer à prefeitura da capital fluminense caso o general Walter Braga Netto não aceite a empreitada. Delegado da Polícia Federal, o deputado é um dos nomes aprovados por Jair Bolsonaro e seus filhos na corrida eleitoral carioca.
No dia anterior à operação, o deputado federal publicou nas redes sociais uma foto ao lado do vereador Carlos Bolsonaro em visita ao seu gabinete.
Sobre a operação policial, Ramagem afirmou que o sistema foi adquirido em 2018, antes do governo anterior começar, e disse que, quando assumiu a Abin, todos os contratos passaram por auditoria. “Mesmo tendo passado por prova de conceito técnico e parecer favorável da Advocacia-Geral da União para aquisição (2018), nossa gestão resolveu encaminhar à Corregedoria para instaurar correição. A operação de hoje só foi possível com esse início de trabalho de austeridade promovido na nossa gestão”, escreveu nas redes.





