RICARDO BRUNO
Um imbróglio jurídico está dificultando o anúncio do nome da candidata a vice do delegado Alexandre Ramagem. O PL deseja a emedebista Rosane Felix, conservadora, de perfil nitidamente bolsonarista, obreira da Assembleia de Deus. Há, contudo, uma dúvida de natureza jurídica, que se não for superada com segurança, pode levar a sigla a uma chapa “puro-sangue”. O partido quer investir pelo menos 24 milhões do fundo partidário na candidatura da vice com recursos dos obrigatórios 30% da cota de mulheres. E não sabe se poderá fazê-lo tendo como vice um nome de outra sigla.
Nesta semana, estão sendo realizadas consultas ao TSE e a advogados especializados em direito eleitoral para sanar a questão. A confirmação de Rosane Felix vai depender do esclarecimento de todas as dívidas que cercam o problema. É necessário absoluta segurança jurídica para a tomada de decisão. Se o entendimento predominante não aconselhar um nome de outro partido, a vice de Ramagem será a deputada Índia Armelau. Jovem, atleta e com predicados de beleza, Armelau suavizaria a imagem sempre sisuda do policial Ramagem.
– Seria um prazer ter o MDB conosco com a indicação da vice. Rosane é um grande quadro. O presidente Washington Reis é um parceiro político de longa data: apoiou Claudio Castro, Romário e Bolsonaro. Já deu inúmeras demonstrações de lealdade. Precisamos, contudo, de segurança jurídica para decidir – confirma Bruno Bonetti, presidente do diretório da capital.
Com 51 candidatos a prefeito no estado e 20 a vices, a seção fluminense é uma das prioridades nacionais do PL. Rio, São Paulo e Minas Gerais são estados estratégicos para o projeto nacional de 2026. O presidente Valdemar Costa Neto já sinalizou que deve encaminhar ao Rio cerca de R$ 80 milhões do fundo eleitoral de cerca de R$ 900 milhões. Destes 80 milhões, cerca de R$ 24 milhões (30% da cota de mulheres) devem turbinar a candidatura majoritária na capital.
Politicamente, o melhor nome é de Rosane Felix. Juridicamente, diante de um cenário de incertezas, India Armelau seria uma indicação que não traria embaraços futuros ao projeto financeiro do partido. Se a dúvida persistir, é provável que a candidatura de Ramagem seja homologada em convenção, no próximo dia 22, sem a definição da vice.





