Piloto preso em Congonhas vira réu por exploração sexual infantil em SP

Justiça aceita denúncia do MP contra Sérgio Antônio Lopes, acusado de chefiar organização criminosa que aliciava menores na periferia.

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réu o piloto de avião Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos. Ele é acusado de chefiar uma organização criminosa voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes. O réu foi demitido da Latam logo após o caso vir à tona.

O piloto foi preso em fevereiro deste ano dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista, momentos antes de assumir o comando de um voo com destino ao Rio de Janeiro. A defesa do acusado não se manifestou até o momento.

Como funcionava o esquema criminoso

As investigações começaram em outubro de 2025, após uma das vítimas, hoje maior de idade, procurar a polícia. Segundo a delegada Ivalda Aleixo, responsável pelo caso, Lopes tinha como alvo principal crianças e adolescentes moradoras de bairros periféricos. O celular do piloto continha fotos e vídeos de diversas vítimas.

Para manter o esquema, o acusado oferecia dinheiro, presentes e ajuda financeira. Ele chegava a aliciar mães e avós das vítimas, pagando aluguel, comprando medicamentos e televisores, além de repassar quantias entre R$ 30 e R$ 100 aos responsáveis após os encontros criminosos.

Acusações e a linha de defesa

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, as provas indicam uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, com divisão de funções e habitualidade. O piloto também é investigado por utilizar documentos falsos para entrar em motéis com as menores de idade e por ameaçar as vítimas para evitar denúncias.

Ao todo, Lopes responde por organização criminosa, estupro de vulnerável, produção, armazenamento e venda de pornografia infantil, entre outros crimes. Em declarações anteriores, a defesa do piloto alegou que ele passou por uma cirurgia grave com tratamento químico que alterou seu comportamento e pediu cautela para desconstruir a “imagem de monstro” criada no caso.

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