A Polícia Federal decidiu alterar a coordenação dos inquéritos da Operação Sem Desconto, investigação que apura fraudes envolvendo o INSS e que levou à quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A mudança provocou reações dentro do Congresso Nacional e também no Supremo Tribunal Federal.
A alteração no comando da investigação foi tema de uma reunião realizada nesta sexta-feira (15) entre integrantes da nova coordenação da PF e o ministro André Mendonça, relator dos casos relacionados à operação no Supremo. Segundo informações divulgadas, Mendonça demonstrou incômodo por não ter sido informado previamente sobre a substituição da chefia responsável pelos inquéritos.
Mudança na investigação
As investigações da Operação Sem Desconto eram conduzidas pela Coordenação-Geral de Polícia Fazendária. Agora, os casos passarão a ficar sob responsabilidade da Cinq, setor ligado à Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro. Com isso, houve mudança no delegado responsável pela coordenação do caso.
Em nota oficial, a Polícia Federal afirmou que a transferência foi realizada para garantir maior estrutura e eficiência às investigações, ressaltando que os delegados responsáveis pelos inquéritos foram mantidos.
Segundo a PF, a mudança busca assegurar continuidade às apurações, especialmente por se tratar de uma investigação considerada sensível e com tramitação no STF.
Pressão no STF e no Congresso
Nos bastidores do Supremo, pessoas ligadas ao gabinete de André Mendonça demonstraram preocupação com possíveis impactos da mudança sobre o andamento das investigações. Um dos temores apontados seria a sobrecarga da nova coordenação, que também acompanha outros casos de grande repercussão nacional.
Durante a reunião com representantes da PF, Mendonça teria reforçado a necessidade de independência nas investigações e cobrado que não haja atrasos ou interferências nos trabalhos.
A troca também provocou reação da oposição no Congresso Nacional. Parlamentares acionaram a Procuradoria-Geral da República e protocolaram pedidos de explicações sobre a alteração na chefia do caso.
O senador Carlos Viana questionou oficialmente a motivação da mudança e pediu esclarecimentos sobre a preservação das provas e das linhas investigativas já desenvolvidas.
Já o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) informou ter apresentado requerimento para convocar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a prestar esclarecimentos na Câmara dos Deputados.
Caso Lulinha
A Operação Sem Desconto começou em 2025 e investiga suspeitas de fraudes relacionadas ao INSS. O caso já resultou em prisões de integrantes do alto escalão do instituto e motivou a criação de uma CPI no Congresso Nacional.
Uma das linhas investigativas apura a possibilidade de Lulinha ter atuado como sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Apesar disso, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é formalmente investigado pela PF até o momento.
A defesa de Lulinha afirma que ele nunca foi chamado para prestar depoimento e nega qualquer envolvimento nas irregularidades investigadas.





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