A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a recuperação judicial da SAF do Botafogo e deu início oficial ao processo de reestruturação financeira do clube. A decisão, assinada na madrugada desta sexta-feira (15) pelo juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima, da 2ª Vara Empresarial da Capital, suspende cobranças, execuções e bloqueios contra a empresa por 180 dias.
O movimento ocorre em meio à pior crise financeira da SAF alvinegra, que declarou um passivo superior a R$ 2,5 bilhões e enfrenta sanções da Fifa, risco de novas punições esportivas e disputas envolvendo o grupo Eagle Football, ligado ao empresário John Textor.
A recuperação judicial foi protocolada horas após a eliminação do Botafogo na Copa do Brasil para a Chapecoense, aumentando a pressão política, financeira e esportiva sobre a atual gestão.
Justiça concede “blindagem” à SAF do Botafogo
Com a decisão judicial, ficam suspensas as cobranças de dívidas sujeitas à recuperação judicial, além de penhoras, bloqueios de contas e apreensão de bens da SAF durante o chamado “stay period”, válido por 180 dias.
O objetivo da medida é permitir que o Botafogo reorganize suas finanças e negocie com credores sem sofrer pressão imediata da Justiça.
O magistrado também definiu que a recuperação judicial terá como marco inicial o dia 21 de abril de 2026, quando o clube apresentou uma medida cautelar antecedente. Assim, créditos gerados antes dessa data poderão ser incluídos no processo de renegociação.
Segundo documentos apresentados à Justiça, a SAF do Botafogo possui dívida total estimada em R$ 2,5 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 1,28 bilhão está diretamente sujeito à recuperação judicial.
A empresa atribui parte da crise ao modelo financeiro adotado pela Eagle Football, grupo comandado por John Textor, ex-controlador da SAF alvinegra. O sistema utilizava um mecanismo de “cash pooling”, permitindo a circulação de recursos entre clubes do conglomerado, como Lyon, da França, e RWDM Brussels, da Bélgica.
De acordo com a SAF, recursos enviados para outros clubes não retornaram ao caixa do Botafogo, provocando desequilíbrio financeiro e aumento do endividamento.
Na petição apresentada à Justiça, o clube afirma ainda que decisões recentes da controladora priorizaram outros times do grupo em detrimento da saúde financeira do Botafogo.
Em nota oficial divulgada na quinta-feira, o clube criticou pela primeira vez a gestão de Textor, apontando “absoluto descompromisso com a estabilidade financeira e institucional” da SAF.
Transfer bans da Fifa aceleraram pedido
Um dos principais motivos para o pedido de recuperação judicial foi o risco de punições esportivas aplicadas pela Fifa.
Atualmente, o Botafogo sofre três transfer bans relacionados às contratações dos jogadores Rwan Cruz, Santi Rodríguez e Thiago Almada, em negociações envolvendo Ludogorets, New York City e Atlanta United.
Segundo o clube, a recuperação judicial seria o único instrumento capaz de evitar agravamento das punições, que poderiam chegar até à perda de pontos no Campeonato Brasileiro.
A SAF também espera que o processo judicial ajude na suspensão dos bloqueios impostos pela Fifa.
Plano de recuperação será apresentado em até 60 dias
Com o deferimento da recuperação judicial, a SAF do Botafogo terá prazo de 60 dias para apresentar um plano detalhado de reorganização financeira.
O documento deverá informar como o clube pretende renegociar dívidas, manter as operações do futebol e preservar contratos, empregos e atividades esportivas.
Após a apresentação, os credores poderão contestar ou aprovar as propostas em assembleia.
A decisão também confirmou Eduardo Iglesias como gestor judicial da SAF, substituindo Durcésio Mello, que recusou a função por motivos pessoais. Administradores judiciais foram nomeados para acompanhar o processo.
O que é recuperação judicial?
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na Lei nº 11.101/2005 para evitar a falência de empresas em crise financeira.
Na prática, a medida permite renegociar dívidas e reorganizar pagamentos enquanto a empresa continua funcionando.
Nos últimos anos, clubes como Cruzeiro, Vasco e Coritiba também recorreram ao instrumento durante processos de reorganização financeira ligados às SAFs.





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