A Polícia Federal prendeu, nesta sexta-feira (20), o mecânico Antônio Cláudio Alves Ferreira, condenado a 17 anos de prisão por participar dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023 e por destruir um relógio histórico do século XVII no Palácio do Planalto. A informação é do portal Metrópoles.
A prisão ocorreu por volta das 19h em Catalão, no interior de Goiás, durante uma operação coordenada pelo Grupo de Capturas da PF em Uberlândia (MG), com apoio da Polícia Militar de Goiás e da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais (Ficco-MG). O mandado foi expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou ilegal a decisão do juiz Lourenço Migliorini Fonseca Ribeiro, da Vara de Execuções Penais de Uberlândia, responsável por conceder liberdade ao condenado.
Em sua decisão, Moraes afirmou que o magistrado agiu fora de sua competência. “O juiz proferiu decisão fora do âmbito de sua competência, não havendo qualquer decisão desta Suprema Corte que tenha lhe atribuído a competência para qualquer medida a não ser a mera emissão do atestado de pena”, destacou o ministro. O STF determinou ainda que a conduta do juiz seja investigada pela polícia.
Antônio Cláudio havia sido beneficiado com a progressão ao regime semiaberto, mas, segundo Moraes, o condenado ainda não preenche os requisitos para essa mudança, já que não cumpriu 25% da pena, conforme exige a lei. O ministro lembrou que a decisão sobre qualquer questão processual relativa aos réus dos atos antidemocráticos cabe exclusivamente ao Supremo.
Durante a operação que levou à nova prisão, outro foragido da Justiça — parente de Antônio Cláudio — também foi capturado pelas autoridades.
Ferreira confessou, em depoimento anterior, ter invadido o Palácio do Planalto e destruído o relógio histórico fabricado pelo relojoeiro francês Balthazar Martinot. A peça, produzida no século XVII, foi trazida ao Brasil pela comitiva de Dom João VI em 1808 e era parte do acervo histórico da Presidência da República. O relógio foi restaurado recentemente na Suíça, sem custos para o governo brasileiro.
A destruição do objeto tornou-se um dos símbolos da depredação durante os atos de 8 de janeiro, quando bolsonaristas inconformados com o resultado das eleições de 2022 invadiram e vandalizaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. A prisão de Ferreira reforça a posição do STF de que os condenados por esses crimes devem cumprir suas penas rigorosamente, sob supervisão da mais alta instância do Judiciário.





