PF identifica mensagens com menções violentas de aliados de Thiago Rangel e cita ’12 tiros no portão’ e ‘vou dar jeito nele’

Conversas apontam ameaças e tentativas de pressão contra alvos; investigação também indica irregularidades em contratos e uso de cargos públicos

A decisão que levou à prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), nesta terça-feira (05), trouxe à tona mensagens que indicam possíveis episódios de intimidação e ameaças. O material, analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), faz parte da investigação conduzida pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne.

Segundo a decisão, os diálogos interceptados mostram conversas nas quais há menções a ações violentas contra pessoas que criticavam o parlamentar. Em um dos trechos, Rangel afirma: “vou dar jeito nele”, seguido da indicação de que enviaria uma “surpresa”. Na sequência, acrescenta: “depois de 12 tiros no portão o recado está dado”.

Mensagens citam intimidação

Outros diálogos reunidos pela investigação apontam discussões sobre estratégias para afastar um alvo. Em uma das conversas, um interlocutor afirma: “temos que arrancar a cabeça dele sem dar direito para ele”, ao que outro responde: “vamos avaliar o melhor momento e tirar”.

Também há menções a um plano de intimidação envolvendo ataque a um veículo. Em um dos trechos, um aliado descreve a ação dizendo: “o moleque vai bater na cara dele, vai dar tiro no carro dele”, ao detalhar a estratégia para pressionar a saída de uma pessoa de determinada posição.

De acordo com a Polícia Federal, esse conjunto de mensagens indica a possível utilização de ameaças como forma de atuação do grupo investigado. Para os investigadores, os diálogos reforçam o nível de organização e planejamento das ações.

Decisão do STF e operação

A prisão de Thiago Rangel foi autorizada dentro da nova fase da operação, que também incluiu mandados de busca e apreensão em 21 endereços. A medida foi tomada após pedido da Polícia Federal, com aval da Procuradoria-Geral da República.

Ao analisar o caso, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que há indícios consistentes da existência de um grupo estruturado. “Os elementos informativos coligidos no curso da investigação evidenciam indícios robustos da existência e da atuação atual de organização criminosa estruturada e estável, voltada à prática reiterada dos delitos de peculato, corrupção ativa e corrupção passiva”, registrou na decisão.

Investigação aponta estrutura de influência

As investigações também identificaram indícios de uso de cargos públicos e contratos para beneficiar o grupo. Entre os materiais apreendidos está uma planilha encontrada na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que listava parlamentares e registrava indicações e pedidos por cargos na administração.

Segundo a Polícia Federal, essa estrutura teria sido utilizada para influenciar nomeações e direcionar contratos, com suspeita de desvio de recursos públicos.

O caso segue em apuração, e as autoridades continuam analisando os elementos reunidos durante a operação.

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