PF descobre que Abin Paralela operava com três núcleos distintos; um deles era o ‘núcleo presidência’

Novos núcleos eram chamados de ‘núcleo presidência’ e o núcleo ‘vetor de propagação’

A Polícia Federal revelou nesta quinta-feira (11) a descoberta de dois novos núcleos dentro do suposto esquema de espionagem ilegal operado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro. Estes núcleos são o “núcleo presidência” e o núcleo “vetor de propagação”.

Segundo as investigações, esses grupos eram alimentados pelo “núcleo estrutura paralela”, liderado por Marcelo Borvemet, policial federal, e Giarcarlo Gomes Rodrigues, militar do Exército, ambos ex-servidores cedidos à Abin e subordinados ao ex-diretor da agência e atual deputado federal, Alexandre Ramagem (PL-RJ). Eles foram alvos de mandados de prisão preventiva emitidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Utilizando ferramentas e sistemas da Abin, esses grupos forneciam dossiês e informações para serem disseminados por influencers do “gabinete do ódio”. Os alvos principais eram ministros do STF, ex-presidenciáveis, parlamentares e jornalistas vistos como adversários do governo Bolsonaro, conforme apurado.

Mensagens interceptadas pela PF revelam diálogos entre membros da Abin referindo-se aos ativistas digitais como “malucos” e utilizando perfis falsos para interagir com eles. O próprio Borvemet chamou o grupo de ativistas digitais de “grupo dos malucos” e admitiu o repasse intencional de informações falsas relacionadas a ministros da Suprema Corte e seus familiares.

O núcleo “presidência” funcionava como ponto de contato do Palácio do Planalto com os influencers do “gabinete do ódio”. Membros desse grupo incluíam Mateus de Carvalho Sposito, ex-assessor da Secretaria de Comunicação Social (Secom) durante o governo Bolsonaro, e o assessor legislativo Daniel Lemos. Mensagens interceptadas indicam que blogueiros se vangloriavam de ter “linha direta com o presidente”, referindo-se a Sposito e Lemos.

A Procuradoria-Geral da República apontou que os conteúdos ilícitos obtidos pelo núcleo de estrutura paralela eram repassados a vetores de propagação em redes sociais, incluindo perfis falsos e perfis cooptados, formando o núcleo de milícias digitais da organização criminosa.

Segundo a PGR, a subdivisão dos núcleos servia como uma forma de “anteparo” para dissociar os verdadeiros beneficiários políticos da disseminação de desinformação.

A Abin utilizou um programa secreto chamado FirstMile para monitorar a localização de alvos pré-determinados por meio dos aparelhos celulares. Após a reportagem, a Polícia Federal abriu um inquérito e identificou que a ferramenta foi utilizada para monitorar políticos, jornalistas, advogados e adversários do governo de Bolsonaro.

De acordo com a PF, além de policiais federais e servidores da Abin, o então diretor da pasta à época, Alexandre Ramagem, e o vereador do Rio, Carlos Bolsonaro, são investigados por suposta participação na chamada “Abin paralela”. Eles foram alvos de mandados de busca e apreensão. Ambos negam o crime.

Em nota no início do ano, a Abin informou que “é a maior interessada” na apuração dos fatos. “Há 10 meses a atual gestão da Abin vem colaborando com inquéritos da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal sobre eventuais irregularidades cometidas no período de uso de ferramenta de geolocalização, de 2019 a 2021. A Abin é a maior interessada na apuração rigorosa dos fatos e continuará colaborando com as investigações”, afirmou a agência.

Com informações de O Globo.  

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