A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (20), uma operação de busca e apreensão para investigar um esquema de importação ilegal de peças de fuzil para abastecer milicianos que agem em Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio. A ação terminou com a apreensão de maquinários, como uma impressora 3D, equipamentos e assessórios usados na fabricação e montagem de armas e munições.
Também foi expedido um mandado de prisão preventiva contra o suspeito, que não foi localizado e é considerado foragido.

Segundo as investigações, o material era importado ilegalmente de Miami, nos Estados Unidos, e utilizado na montagem das armas para milicianos —conforme os agentes, o grupo tem o objetivo de expandir seu domínio territorial e se reforçar em confrontos com forças de segurança e facções rivais.
A operação é desdobramento de uma investigação iniciada após a Receita Federal interceptar várias remessas do material no Aeroporto do Galeão. Em julho deste ano, um homem identificado como o destinatário das encomendas foi preso em flagrante pela Polícia Federal no Rio.
Milícia de Rio das Pedras
Rio das Pedras é amplamente reconhecido como o berço das milícias na cidade. O grupo paramilitar da região chegou a ser liderado por Dalmir Pereira Barbosa e, posteriormente, por seu filho Taillon de Alcântara Pereira Barbosa.
Sob Tailon, a milícia expandiu sua atuação para áreas como Muzema, Gardênia Azul, Jacarepaguá, Campo Grande e até regiões mais afastadas como Seropédica. O grupo exerce controle rígido sobre moradores e comerciantes, impondo serviços como segurança, venda de gás, transporte alternativo e até a liberação de construções irregulares.

Nos últimos anos, a situação em Rio das Pedras se agravou devido à disputa territorial com o Comando Vermelho, desencadeando uma série de confrontos violentos, resultando em mortes e no aumento da tensão na região. Pressionada pela perda de território, passou a reforçar seus métodos de financiamento, chegando ao ponto de cobrar diretamente dos moradores uma “taxa de segurança” mensal, inclusive batendo de porta em porta para recolher os valores.
Segundo investigações, o grupo chegou a movimentar cerca de R$ 2 milhões por mês com suas atividades ilegais.






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