Conversas, transferências bancárias, áudios e movimentações financeiras passaram a colocar o deputado estadual Thiago Rangel no centro de uma investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos da Educação no interior do Rio de Janeiro.
Segundo a investigação, empresas ligadas ao suposto operador financeiro do parlamentar teriam recebido milhões de reais de escolas estaduais para obras e serviços, com parte dos valores sendo rapidamente pulverizada para outras firmas vinculadas ao grupo. Novos áudios foram divulgados hoje no RJTV2.
A principal empresa citada no inquérito é a VML Comércio e Serviços, apontada pela PF como peça central do esquema investigado. De acordo com os investigadores, unidades escolares do Noroeste Fluminense realizaram pagamentos milionários à empresa, que posteriormente transferia os recursos para outras companhias relacionadas aos investigados.
Mensagens e áudios
A PF afirma que o suposto operador financeiro do grupo seria Luis Fernando Passos de Souza. Mensagens analisadas pela investigação mostram conversas entre ele e Thiago Rangel sobre obras em escolas estaduais.
Em um dos áudios citados, Luis Fernando pergunta ao deputado se determinadas obras seriam liberadas e afirma precisar de um “sinal verde”. Em outra mensagem, fala sobre a necessidade de “alinhar os empreiteiros”. Para os investigadores, os diálogos indicariam possível articulação para fraudes em contratos públicos.
A investigação aponta ainda que, cerca de um mês depois dessas conversas, Thiago Rangel teria enviado listas contendo nomes de escolas, empresas e valores ligados a processos licitatórios.
Empresas e transferências
Entre as cidades citadas pela investigação estão Natividade, Cambuci, Aperibé, Itaocara e Bom Jesus do Itabapoana, apontadas como redutos eleitorais do deputado.
Segundo a PF, a VML recebia recursos das escolas estaduais e, em alguns casos, transferia os valores para outras empresas no mesmo dia. Um dos exemplos mencionados ocorreu após um repasse de R$ 49 mil feito por um Ciep em Aperibé. Poucas horas depois, R$ 44 mil teriam sido enviados para outra firma ligada ao grupo investigado.
A investigação também aponta que, somente em 2025, cinco escolas estaduais transferiram mais de R$ 800 mil para a VML. No mesmo período, a empresa teria enviado mais de R$ 1 milhão para duas empresas registradas em nome de Edilene Henriques, esposa de Luis Fernando.
Verba da Alerj
Além dos recursos da Educação, a PF afirma que a VML também recebeu pagamentos provenientes de verba de gabinete da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Segundo o inquérito, Thiago Rangel utilizava recursos públicos para alugar veículos da empresa. Entre 2025 e 2026, os pagamentos somariam R$ 246 mil.
A investigação cita ainda movimentações consideradas suspeitas envolvendo dinheiro em espécie. Em uma das mensagens analisadas, Luis Fernando menciona valores e saques relacionados a contratos. Em resposta, o deputado teria orientado que o dinheiro permanecesse guardado. Dias depois, o operador enviou uma foto mostrando maços de dinheiro vivo, respondida pelo parlamentar com uma figurinha de sinal positivo.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Thiago Rangel afirmou que o deputado é inocente, negou qualquer participação em fraudes e declarou que ele jamais teve operador financeiro. Os advogados também sustentam que o parlamentar não possui ligação societária com a empresa VML e desconhece as transferências citadas pela PF.
Sobre os contratos de locação de veículos, a defesa afirmou que os acordos estavam registrados oficialmente na Alerj e foram firmados dentro dos valores praticados no mercado.
Já a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro informou que realiza uma revisão administrativa dos procedimentos relacionados às obras de manutenção da rede estadual e afirmou que Thiago Rangel não possui ingerência sobre a pasta.





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