PF aponta Bacellar como líder do ‘núcleo político do CV’ e cita ‘espoliação do poder público’

Relatório enviado ao STF afirma que deputado afastado da presidência da Alerj atuava como interlocutor da facção; defesa nega irregularidades e diz que acusação é sem provas

A Polícia Federal afirma, em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal, que o deputado estadual Rodrigo Bacellar exercia a “liderança do núcleo político” do Comando Vermelho. O documento, com 188 páginas, sustenta que o parlamentar teria atuado como elo institucional capaz de fornecer interlocução política para proteger interesses da organização criminosa.

Bacellar, o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e outras três pessoas foram indiciados pela Polícia Federal por suspeita de vazar informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho.

Segundo o relatório, Bacellar possuía capacidade de articulação considerada seu “maior ativo” e seria responsável por facilitar a blindagem das ações do grupo. As conclusões foram enviadas ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, e também ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, informa O Globo.

Investigação aponta vazamento de operação policial

A investigação ganhou força após a suspeita de que Bacellar teria repassado informações sigilosas da Operação Zargun ao ex-deputado estadual TH Jóias antes do cumprimento de mandados. O político foi preso preventivamente em dezembro, durante comparecimento à superintendência da Polícia Federal no Rio.

Posteriormente, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a Alerj, votou pela revogação da prisão. O parlamentar foi liberado com medidas cautelares impostas por Moraes, incluindo afastamento da presidência da Casa, uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento noturno.

PF fala em “estado paralelo” e infiltração política

Na versão final do relatório, a Polícia Federal sustenta que o caso revela a interação entre grupos criminosos e agentes públicos. Para os investigadores, a relação entre Bacellar e TH Jóias seria “o retrato perfeito da espoliação dos espaços públicos de poder pelas facções criminosas no Rio”.

O documento ainda afirma que a atuação do deputado indicaria a existência de um “verdadeiro estado paralelo”, sustentado por articulações políticas que poderiam inviabilizar operações contra organizações violentas. A avaliação é de que, na presidência da Alerj, Bacellar detinha influência ampla sobre decisões políticas e movimentações internas.

Defesa nega acusações e chama indiciamento de abusivo

A defesa do parlamentar afirma que não há provas que sustentem as acusações. Em nota, o advogado Daniel Bialski declarou que “inexiste qualquer elemento probatório” capaz de associar Bacellar a ilícitos ou vazamento de informações.

Segundo o defensor, o indiciamento seria “arbitrário e abusivo”, baseado apenas em suposições.

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