Um petroleiro chinês sancionado pelos Estados Unidos cruzou o Estreito de Ormuz nesta terça-feira (14), apesar do bloqueio militar imposto por Washington, informa reportagem do portal UOL. A travessia foi confirmada por dados de monitoramento marítimo e ocorre em um momento de crescente tensão entre os Estados Unidos e o Irã.
O navio Rich Starry, alvo de sanções dos EUA, tornou-se a primeira embarcação a deixar o Golfo Pérsico desde o início da operação. Informações das plataformas LSEG, MarineTraffic e Kpler indicam que o petroleiro passou pelo estreito, considerado uma das rotas mais estratégicas para o comércio global de energia.
Navios sancionados seguem em operação
O Rich Starry foi sancionado pelos Estados Unidos juntamente com sua proprietária, a Shanghai Xuanrun Shipping, sob a acusação de manter negócios com o Irã. A empresa não comentou a travessia.
A embarcação transporta cerca de 250 mil barris de metanol, carregados no porto de Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos. Dados de navegação também apontam que a tripulação a bordo é composta integralmente por chineses.
Outro navio com histórico de sanções, o Murlikishan, também entrou no Estreito de Ormuz no mesmo dia. Diferentemente do Rich Starry, ele navega sem carga e tem como destino o Iraque, onde deve embarcar óleo combustível até quinta-feira (16). O navio já havia sido alvo de punições por transportar petróleo da Rússia e do Irã, contrariando restrições impostas por Washington.
Bloqueio militar e ameaças dos EUA
O bloqueio ao Estreito de Ormuz foi anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o fracasso das negociações relacionadas ao conflito com o Irã. A operação começou às 11h do dia anterior e foi detalhada pelo Comando Central dos EUA em comunicado a agentes marítimos.
Segundo a nota, a restrição se aplica a embarcações de qualquer bandeira que tenham como destino o Irã ou que estejam deixando o país. Navios que desrespeitarem a determinação poderão ser abordados, desviados ou apreendidos.
“Qualquer embarcação que entrar ou sair da área bloqueada sem autorização estará sujeita a interceptação, desvio e apreensão”, diz o comunicado.
O governo dos EUA também afirmou que o bloqueio será aplicado de forma ampla, atingindo navios que operem em portos iranianos tanto no Golfo Pérsico quanto no Golfo de Omã.
Apesar das restrições, o trânsito considerado neutro — com origem ou destino em países não iranianos — segue autorizado, embora sujeito a inspeções para verificação de eventuais cargas ilegais.
Após o início da operação, Donald Trump elevou o tom e afirmou que navios iranianos que se aproximarem da área poderão ser alvo de ações militares imediatas. Em publicação nas redes sociais, comparou a missão a operações realizadas no Pacífico contra embarcações suspeitas de envolvimento com narcotráfico.
Reação do Irã e risco de escalada
A resposta do Irã veio em tom de confronto. Autoridades do país classificaram o bloqueio como ilegal e prometeram reagir a qualquer tentativa de restrição naval.
“Os Estados Unidos, assim como sofreram uma derrota histórica contra o Irã ao tentar abrir o Estreito de Hormuz, também estão fadados ao fracasso em qualquer bloqueio naval”, disse Mohsen Rezaee.
A Guarda Revolucionária Islâmica também emitiu alertas sobre a presença de navios militares na região e indicou que qualquer aproximação será respondida com rigor.
” Nós lidaremos com eles severamente. Se os EUA iniciar uma guerra terrestre, nós vamos mobilizar um milhão de nossas tropas”, escreveu Ibrahim Al Fiqar no X.
Em outra manifestação, autoridades iranianas afirmaram que a medida dos Estados Unidos representa um “ato ilegal e constitui pirataria”. Também destacaram que a segurança marítima na região deve ser compartilhada por todos os países.
A sede central de Khatam al-Anbiya declarou que “a segurança dos portos do Golfo e do Mar de Omã é para todos, ou para ninguém”.
Impactos e incertezas no comércio global
O Estreito de Ormuz é responsável por uma parcela significativa do fluxo mundial de petróleo. Qualquer instabilidade na região tem o potencial de impactar mercados internacionais.
O cenário permanece em aberto, com risco de novos confrontos e efeitos diretos sobre o transporte marítimo e o fornecimento global de energia.






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