A Petrobras lançou na noite desta sexta-feira (23), em cerimônia no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, a Seleção Petrobras Cultural – Novos Eixos, destinado a investir na cultura cerca de R$ 250 milhões da Lei Rouanet e da Lei do Audiovisual. O total de investimento é considerado recorde pela empresa.
Participaram do evento o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, entre outras autoridades. O edital da companhia para patrocínio de projetos culturais foi aberto no momento do evento e receberá inscrições até o dia 8 de abril.
O patrocínio da Petrobras sempre foi um dos mais fortes do setor em vista do tamanho dos valores destinados a projetos culturais, especialmente nos governos do PT. A volta dos patrocínios da empresa era aguardada por produtores desde 2019, quando o governo Bolsonaro cortou vários de seus investimentos na área.
Projetos com apoios históricos da Petrobras, como o Festival do Rio, a Mostra de Cinema de São Paulo, o Festival de Curitiba, o Porto Alegre em Cena, o Teatro Poeira, entre outros, tiveram seus patrocínios cortados.
À época, Jair Bolsonaro postou em suas redes sociais que o incentivo à Cultura não deveria “estar a cargo de uma petrolífera estatal”. “A soma dos patrocínios dos últimos anos passa de R$ 3 bilhões. Determinei a reavaliação dos contratos. O Estado tem maiores prioridades”, escreveu então Bolsonaro.
Segundo a empresa, o Programa Petrobras Cultural foi remodelado “com projetos que valorizem a diversidade e a economia criativa”, cuja seleção “irá valorizar as regionalidades, diversificando as oportunidades pelo território nacional através de mecanismos especiais do regulamento”.
O Programa terá os seguintes eixos: “Produção e Distribuição”, “Ícones de Cultura Brasileira”, “Cinema e Cultura Digital” e “Festivais e Festas Populares”.
Estão aptos a participar da seleção propostas de programação de espaços culturais, espetáculos artísticos, exposições, produção de filmes, manutenção de grupos artísticos, projetos digitais, festivais temáticos, festas regionais e outros, num total de dez tipos diferentes de ações de patrocínio. Para promover a descentralização, haverá pontuação adicional a projetos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Outra novidade será a reserva de 25% das vagas para projetos propostos, liderados, ou que tenham como tema principal mulheres, pessoas negras, oriundas de povos indígenas, comunidades tradicionais (incluindo terreiros e quilombolas), pessoas LGBTQIA+, entre outros grupos em situação de vulnerabilidade ou sub-representação na sociedade.
Representando os trabalhadores de cultura, a atriz, diretora e produtora Leandra Leal, celebrou que há uma semana o espaço da cerimônia (o vão aberto do MAM) estava ocupado pelo carnaval: “Apesar de tentativas de criminalização dos artistas e desvalorização da cultura brasileira, aqui estamos nós” destacou. A atriz anunciou que o Rival voltará a ter o patrocínio da petrolífera.
– Esse ano o Rival volta a ser Rival Petrobras. Somos o teatro privado mais antigo em funcionamento no país, há três gerações em nossa família, o que muito nos orgulha. A Petrobras vai completar 70 anos, nós vamos comemorar 90 anos em março.
Com informações de O Globo.





