A Petrobras anunciou nesta terça-feira seu segundo investimento como parte da estratégia de retorno à África para diversificar a busca por novas reservas de petróleo. Esse movimento acontece seis anos após a empresa ter vendido uma subsidiária que atuava no continente.
A nova operação foi realizada em parceria com a francesa TotalEnergies, da qual a Petrobras adquiriu uma participação de 10% em um bloco exploratório localizado na bacia de Orange, uma região que ganhou destaque no setor após recentes descobertas de petróleo feitas pela própria Total, além da inglesa Shell e da portuguesa Galp.
No fim de 2023, a Petrobras já havia anunciado a aquisição de participações em três blocos exploratórios operados pela Shell em São Tomé e Príncipe, área que também tem registrado descobertas importantes nos últimos anos.
Segundo a estatal, a operação anunciada nesta terça “está alinhada com a estratégia de longo prazo da companhia, que visa a recomposição das reservas de petróleo e gás por meio de exploração de novas fronteiras, tanto no Brasil quanto no exterior, e atuação em parceria”.
O bloco, chamado DWOB (Deep Western Orange Basin), fica em águas profundas, foco da expansão da área de exploração e produção da Petrobras. A empresa já informou que avalia também ativos na Namíbia, outro país com descobertas relevantes nos últimos anos.
O retorno à África é o primeiro passo em uma mudança estratégica na Petrobras após o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sob Jair Bolsonaro (PL), a empresa se desfez de grande parte de suas operações internacionais.
No fim do governo Michel Temer, já havia vendido fatia de 50% na PO&GBV, parceria com o banco BTG que tinha na época operações na Nigéria — antes, chegou a operar também em Angola, Benin, Gabão e na Namíbia.
A companhia mantém seu foco principal no desenvolvimento das reservas do pré-sal, mas avalia que precisa buscar novas áreas exploratórias também no exterior para evitar o declínio de sua produção a partir da próxima década.
A principal aposta nesse sentido são as bacias da margem equatorial brasileira, que se estendem do Rio Grande do Norte ao Amapá, e são hoje alvo de embate entre as áreas energética e ambiental do governo. Também no Brasil, a bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul, é outra possibilidade.
A Petrobras se diz confiante com a concessão de licença ambiental para a perfuração do primeiro poço no Amapá, garantindo a abertura de uma nova fronteira exploratória no país, apesar de resistências de ambientalistas.
Ainda assim, a avaliação é que as semelhanças geológicas entre a costa Oeste da África e as principais bacias brasileiras fazem de ativos africanos uma alternativa promissora nesse esforço para reposição de reservas.
“É sabido que Brasil e África estiveram juntos. Então a gente sabe que a geologia se espelha uma na outra”, disse na semana passada a diretora de Exploração e Produção da companhia, Sylvia dos Anjos. “Se formos para algum lugar fora do Brasil, a África é um bom lugar”.
Com informações da Folha de S. Paulo.





