Peru e Colômbia reforçam efetivos militares nas fronteiras com Equador para evitar ingresso de pessoas com antecedentes criminais

Território entre países é usado como rota para contrabando de cocaína e cultivo da droga por gangues equatorianas e cartéis criminosos

Vizinhos do Equador, a Colômbia e o Peru, reforçaram nesta quarta-feira (10) seus efetivos militares nas fronteiras que dividem com o país. O país decretou “estado de exceção” e de “conflito armado interno” em meio a uma das suas mais graves crises de segurança pública.

O governo peruano enviou mais de 500 agentes de segurança e decretou estado de emergência na região fronteiriça, enquanto o comandante das Forças Armadas colombianas, o general Helder Giraldo, disse que um “amplo dispositivo” foi destacado, sem especificar o tamanho do contingente.

O subdiretor da polícia colombiana, o general Alejandro Zapata, acrescentou que os controles foram intensificados em vários pontos do departamento (estado) de Nariño, no sudoeste da Colômbia, “evitando que entrem no país pessoas com antecedentes criminais ou associados com alguma questão delitiva ou de tráfico de drogas”.

Zapata também anunciou operações nos municípios colombianos de Ipiales, Chiles e Carlosama, “em especial neste último, que é uma passagem ilegal”. A extensa fronteira entre os países é usada como rota para o contrabando de cocaína e cultivo ilícito da droga por gangues equatorianas e cartéis colombianos — que cooperam entre si, segundo investigações.

No mesmo sentido, o ministro do Interior do Peru, Víctor Torres, disse hoje em entrevista coletiva que o país não poupará esforços para que “nenhum delinquente ingresse” em seu território. No entanto, o governo peruano descartou o fechamento da fronteira com o Equador, apesar do risco de fuga de integrantes, alegando razões comerciais.

— Estamos trabalhando para garantir a segurança dos peruanos, deixamos claro que não está na agenda estabelecer um fechamento de fronteira porque isso prejudicaria o comércio e as relações entre os dois países — indicou o ministro da Defesa, Jorge Chávez.

Os dois ministros peruanos chegaram nesta quarta-feira na cidade fronteiriça de Tumbes para coordenar as ações de segurança, em meio ao temor da escalada da violência no Equador para o seu território.

Situado entre a Colômbia e o Peru, os maiores produtores de cocaína do mundo, o Equador se transformou em uma espécie de “hub” do tráfico de drogas nos últimos anos, com mais de 20 grupos disputando o controle do território, mas unidos em sua guerra contra o Estado.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores peruano, Lima e Quito vêm coordenando ações conjuntas desde terça-feira.

— A apreciação conjunta é que as organizações transnacionais do crime e do tráfico de drogas estão atuando dentro do Equador, mas não apenas no Equador, pois parece haver ligações com colombianos, alguma origem com os cartéis baseados no México e, possivelmente, envolvimento com organizações criminosas no Brasil — disse o chanceler peruano Javier González-Olaechea à rádio RPP.

Na rede social X (novo Twitter), o presidente colombiano, Gustavo Petro, disse estar disposto a ajudar o país vizinho: “Estamos atentos a todo o apoio que o governo do Equador nos solicitar”, escreveu.

Com informações de O Globo.

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