Perito diz que gelo nas asas pode ter causado queda de avião em Vinhedo (SP)

Se o gelo se formou nas asas e o sistema de degelo falhou, isso poderia ter causado a perda de sustentação, explica

O engenheiro aeronáutico Celos Faria de Souza, perito criminal especializado em acidentes aeronáuticos e diretor da Associação Brasileira de Segurança de Voo (Abravoo), apresentou suas hipóteses sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo. Segundo Souza, com base nas imagens do acidente, uma das principais causas possíveis é a formação de gelo nas asas da aeronave.

O perito apontou que havia previsão de formação de gelo na área do acidente. Se o gelo se formou nas asas e o sistema de degelo falhou, isso poderia ter causado a perda de sustentação e, consequentemente, a queda do avião.

Souza afirmou que há 95% de probabilidade de que o gelo seja a principal causa do acidente, apoiado pela observação de que a estrutura da aeronave parece íntegra nas imagens.

Piloto de outra aeronave reportou formação de gelo

Outro fator a ser considerado é o relato de um piloto de A320 que reportou formação de gelo na janela lateral da cabine, um fenômeno raro. Segundo Souza, esse detalhe reforça a hipótese do gelo como causa do acidente.

A segunda hipótese, embora menos provável, é que o avião tenha sofrido um desbalanceamento durante o voo. Isso ocorreria se uma carga dentro da aeronave se movesse para a parte traseira, resultando na perda de sustentação.

O site Flight Radar confirmou que o avião estava a 17 mil pés em uma área com formação de gelo severa antes do acidente.

O ATR-72 da Voepass, que partiu de Cascavel, no Paraná, e tinha como destino Guarulhos (SP), estava prestes a iniciar o procedimento de descida quando caiu perto de Vinhedo. A análise das imagens indica que o avião perdeu sustentação e caiu em espiral, conhecido como “parafuso chato” em manobras acrobáticas.

Os pilotos são treinados para lidar com a perda de sustentação, e o avião tinha altitude suficiente para tentar uma recuperação. A falha do sistema de degelo, se confirmado, poderia ser um fator crucial para entender o acidente. O ATR-72, que possui um sistema de degelo diferente dos jatos de Boeing e Airbus, opera em altitudes mais baixas e é mais suscetível ao congelamento.

Com informações de O Globo

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