Em 2013, um avião modelo ATR 72, o mesmo que caiu em Vinhedo (SP), enfrentou uma situação crítica durante um voo entre Maceió e Salvador devido à formação de gelo, que resultou na perda de controle da aeronave. O incidente foi classificado pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) como um “incidente grave” com múltiplos fatores contribuintes, incluindo condições meteorológicas adversas, decisões equivocadas da tripulação e potenciais falhas de manutenção e projeto.
No caso de 2013, a aeronave, operada pela extinta Trip, transportava 58 passageiros e quatro tripulantes. O voo decolou normalmente, mas a tripulação encontrou problemas ao atingir 16.000 pés de altitude, quando o avião começou a acumular gelo. A tripulação tentou desviar o voo, mas a situação se agravou, levando à perda de velocidade e sustentação, com a aeronave entrando em estol (condição de perda de sustentação aerodinâmica). Apesar da gravidade, a tripulação conseguiu retomar o controle e pousar em segurança, sem feridos.
Incidente levou a mudanças no treinamento de pilotos
O Cenipa apontou que a decisão do comandante de reduzir a potência dos motores, em vez de aumentar, exacerbou a perda de velocidade e contribuiu para o estol. Houve também falhas no gerenciamento de tarefas e comunicação na cabine, além de uma interpretação equivocada da vibração da aeronave, que foi confundida com um problema na hélice em vez de ser reconhecida como uma consequência do gelo.
Após o incidente, foram realizadas mudanças nos procedimentos operacionais e no treinamento dos pilotos para lidar melhor com condições de gelo. A ATR, fabricante do avião, também revisou seus manuais para melhorar a clareza das instruções e facilitar a tomada de decisão da tripulação.
O relatório de 2021, elaborado após uma investigação extensa, indica que o ATR 72 envolvido na queda em Vinhedo pode ter enfrentado condições semelhantes às do incidente de 2013, embora a investigação ainda esteja em andamento e nenhuma conclusão definitiva tenha sido alcançada até o momento. A possibilidade de formação de gelo em rota está entre as hipóteses levantadas por especialistas como fator contribuinte para o acidente em Vinhedo.
Com informações do UOL





