Donos de perfis suspensos no Twitter por apologia a ataques em escolas têm conseguido criar novas contas na rede social, segundo monitoramento de pesquisadoras que analisam grupos de extrema direita há mais de dez anos.
Há um “efeito migração” dessas contas do Twitter. Ou seja, usuários suspensos por terem feito apologia a violência criam novos perfis.
Em um dos perfis observados, o dono da conta conseguiu voltar pela quarta vez à rede social.
Uma das estratégias é adotar o nome com pequenas diferenças e publicar conteúdos de forma mais sutil. Dessa forma, os donos dos perfis conseguem retornar à plataforma após a punição, segundo o monitoramento.
A analista de monitoramento de grupos neonazistas e neofascistas, Tatiana Azevedo, diz que ” há contas que estão incessantemente tentando voltar, e não existe um trabalho ativo do Twitter para identificá-las. Não foi criado nenhum filtro, e a gente fica dependente de denunciar para a Polícia Federal, por exemplo.”
A pesquisadora disse ainda que “estão observando um efeito de migração e que essas comunidades podem estar reorganizadas em outro ambiente”.
A reportagem questionou o ministério da Justiça se o pedido de bloqueio é apenas para a conta do usuário ou para suspender o IP (número de identificação de um computador na internet). Entretanto, não houve resposta após quatro dias de tentativas de contato.
O Twitter respondeu ao UOL com um emoji de cocô. Essa tem sido a postura da empresa aos pedidos da imprensa.





