Quando a Vila Isabel entrar na Avenida, na madrugada de terça-feira, o patrono da escola vai estar longe da Sapucaí. Pela primeira vez em quase uma década, o ficheiro Ainton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarẽs, não verá o desfile da habitual frisa que ocupa no Sambódromo, ao lado do primeiro recuo da bateria.
Desde dezembro, ele está em prisão domiciliar pelo homicídio do pastor Fábio Sardinha, em 2020. A investigação do assassinato trouxe à tona uma conexão até então desconhecida no submundo: o contraventor teria recrutado, para ser seu segurança e pistoleiro, um ex-integrante dos “Cavalos Corredores”, grupo de extermínio formado por policiais acusado de uma série de crimes no início dos anos 1990 na Zona Norte do Rio.
Além de Guimarães, também está preso pelo homicídio do pastor o ex-policial militar Deveraldo Lima Barreira. Segundo a investigação da Polícia Federal e do Ministério Público do Rio, Barreirinha, como é conhecido desde os tempos de PM, é um dos integrantes da tropa de segurança do bicheiro e passou mais de dois anos monitorando a rotina da vítima para que o crime fosse consumado, em julho de 2020. Décadas antes de ser funcionário da máfia do jogo ilegal, era um soldado “operacional”, temido nas favelas da cidade, que batia ponto no 9º BPM (Rocha Miranda).





