Partido de Bolsonaro divulga parecer que questiona a segurança das urnas a 4 dias da eleição

A quatro dias do primeiro turno das eleições, o PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, divulgou nesta quarta-feira (28) um relatório que contesta a segurança do sistema eleitoral do país. O documento de duas páginas foi preparado no momento em que Bolsonaro elevou o tom das críticas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e tem reforçado…

A quatro dias do primeiro turno das eleições, o PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, divulgou nesta quarta-feira (28) um relatório que contesta a segurança do sistema eleitoral do país. O documento de duas páginas foi preparado no momento em que Bolsonaro elevou o tom das críticas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e tem reforçado questionamentos, sem qualquer prova, sobre a segurança das urnas eletrônicas. Bolsonaro tem indicado que, caso não vença, deve contestar o resultado da votação.

Chamado de “Resultados da Auditoria de Conformidade do PL”, o relatório afirma haver um “quadro de atraso” no TSE em relação a “medidas de segurança da informação”, o que geraria “vulnerabilidades relevantes”. Segundo o documento, essas falhas podem “resultar em invasão interna ou externa nos sistemas eleitorais, com grave impacto nos resultados das eleições de outubro”.  O TSE sempre rebateu a possibilidade de invasões, dizendo que as urnas eletrônicas não são ligadas à internet, tampouco são conectadas entre si, o que impossibilita qualquer intrusão interna por um hacker, por exemplo. A Corte ainda realizou uma série de testes de segurança nos últimos meses, inclusive com a participação de representantes do próprio PL, e nenhuma falha grave foi encontrada.

O documento foi produzido pela equipe do Instituto Voto Legal (IVL), contratado pelo PL para fiscalizar a votação, e divulgado hoje pelo vice-presidente da sigla, deputado Capitão Augusto (SP). Segundo a assessoria de imprensa do PL, o engenheiro Carlos Rocha, presidente do IVL, foi credenciado pelo partido para fiscalizar as apurações das urnas eletrônicas. Em junho, o partido desistiu do credenciamento do instituto junto ao TSE.  

Horas antes da divulgação do documento, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, esteve no TSE reunido com o presidente da Corte, Alexandre de Moraes. Após visitar a sala onde é feita a totalização de votos das eleições — já chamada de “sala secreta” por Bolsonaro —, o cacique do partido do presidente admitiu que não há nada secreto no local. “Não tem mais. Agora é aberta”, disse Valdemar.  A interlocutores, o presidente do PL já afirmou que o partido não encampa o discurso de teor golpista de Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas e que a sigla aceitará o resultado das eleições, seja ele qual for.  No documento divulgado hoje, no entanto, o partido acusa um “grupo restrito do TSE” de “controlar todo o código fonte dos programas da urna eletrônica e dos sistemas eleitorais”. “Isto cria nas mãos de alguns técnicos um poder absoluto de manipular resultados da eleição, sem deixar rastro”, acrescenta o texto. O TSE  ainda não se pronunciou sobre o documento produzido pelo PL.

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