O papa Leão XIV recebeu neste domingo (19), em audiência privada no Vaticano, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, no primeiro gesto diplomático de seu pontificado voltado à mediação da guerra entre Ucrânia e Rússia. O encontro ocorreu após a missa de entronização do novo pontífice, celebrada na Praça de São Pedro, e contou também com a presença da primeira-dama ucraniana, Olena Zelenska, e do ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha.
Desde sua eleição em 8 de maio, Leão XIV tem feito reiterados apelos por um cessar-fogo e por uma “paz justa e duradoura” no leste europeu, colocando o Vaticano à disposição para atuar como mediador entre Kiev e Moscou. O pontífice já havia indicado, em discursos anteriores, que considera “inadmissível” a continuação do conflito sem perspectiva de diálogo.
Ao comentar o encontro, Zelensky afirmou que a Santa Sé pode ter um papel importante para encerrar a guerra. “A voz e a autoridade da Santa Sé podem ter um papel importante no fim dessa guerra”, escreveu o presidente ucraniano em publicação na rede social X (antigo Twitter). “Agradecemos o Vaticano por sua disposição em servir de plataforma para negociações diretas entre a Ucrânia e a Rússia. Estamos prontos para o diálogo em qualquer formato, em prol de resultados tangíveis.”
De acordo com a imprensa italiana, a audiência com o papa teve duração aproximada de uma hora e foi marcada por um tom cordial. Fontes diplomáticas indicaram que o Vaticano busca manter canais abertos com os dois lados do conflito, ainda que a relação com Moscou esteja mais tensa desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.
Encontro com representantes dos Estados Unidos
Após deixar o Vaticano, Zelensky seguiu para a Villa Taverna, residência oficial do embaixador dos Estados Unidos em Roma, onde se reuniu com o vice-presidente estadunidense, J.D. Vance, e com o secretário de Estado, Marco Rubio. O encontro foi centrado na situação da guerra e na possibilidade de retomada das negociações de paz.
“Discutimos as negociações em Istambul, para onde os russos enviaram uma delegação de baixo escalão composta por pessoas sem poder de decisão. Ressaltei a importância de um cessar-fogo total e incondicional o mais breve possível”, disse Zelensky.
Além disso, o presidente ucraniano voltou a defender o endurecimento das sanções internacionais contra a Rússia, como forma de pressionar o governo de Vladimir Putin a reconsiderar sua estratégia militar. “Abordamos a necessidade de sanções contra a Rússia, o comércio bilateral, a cooperação em defesa, a situação no campo de batalha e a troca de prisioneiros. É preciso fazer pressão contra a Rússia para que queira interromper a guerra.”
Alinhamento ocidental e papel europeu
Também em Roma, Vance se encontrou com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Os três líderes conversaram sobre a guerra na Ucrânia e também trataram de temas relativos às relações entre os Estados Unidos e a União Europeia, como tarifas comerciais e investimentos conjuntos em defesa.
O giro de Zelensky pela capital italiana, em meio à entronização de Leão XIV, evidencia a tentativa da diplomacia ucraniana de manter o apoio ocidental ativo e visível. O encontro com o novo papa reforça ainda o papel do Vaticano como potencial interlocutor internacional na busca por uma saída pacífica para um dos conflitos mais prolongados e destrutivos da década.
O Vaticano não divulgou uma nota oficial sobre a reunião, mas fontes próximas ao papa indicam que Leão XIV manterá a disposição de atuar como ponte entre as partes — repetindo o esforço do papa Francisco, que também se ofereceu como mediador durante o seu pontificado. A diferença agora, segundo analistas, é que o novo pontífice pode dispor de uma conjuntura política mais favorável para iniciativas concretas de paz.





