Papa Francisco demite bispo estadunidense apoiador de Trump e contrário à aproximação da igreja com a comunidade LGBT+

Em comunicado do Vaticano publicado neste sábado (11) anunciou que o papa Francisco destituiu o bispo americano Joseph Strickland, um de seus maiores críticos entre os católicos conservadores dos Estados Unidos. Nomeado em 2012 pelo papa Bento 16 (1927-2022), Strickland vinha se opondo às tentativas do pontífice de tornar a Igreja Católica mais acolhedora para…

Em comunicado do Vaticano publicado neste sábado (11) anunciou que o papa Francisco destituiu o bispo americano Joseph Strickland, um de seus maiores críticos entre os católicos conservadores dos Estados Unidos.

Nomeado em 2012 pelo papa Bento 16 (1927-2022), Strickland vinha se opondo às tentativas do pontífice de tornar a Igreja Católica mais acolhedora para a comunidade LGBT+.

O desligamento de um religioso deste patamar é uma medida rara. O ato se dá poucos meses após o papa ter enviado outros dois bispos estadunidenses para visitar a diocese de Tyler, no Texas, em junho deste ano. Segundo a agência Reuters, a ação fez parte de uma investigação do Vaticano sobre a gestão financeira da diocese administrada por Strickland.

Normalmente, os bispos são orientados a renunciar quando têm problemas com a Igreja Católica — a destituição acontece como última medida, quando o religioso se recusa a fazer o pedido. Aos 65 anos, dez a menos que a idade de aposentadoria de bispos, Strickland tinha afirmado antes que não renunciaria.

Apoiador do ex-presidente Donald Trump, o bispo é um dos maiores expoentes da ala católica ultraconservadora nos EUA. Em agosto, Francisco havia lamentado o caráter “reacionário” da Igreja Católica no país, e afirmou que lá a ideologia política substituiu a fé em alguns casos.

Segundo o comunicado do Vaticano, o pontífice nomeou o bispo de Austin, Joe Vasquez, como administrador interino da diocese de Tyler.

Na quarta-feira (8), o Vaticano afirmou que pessoas transgênero “podem receber o batismo, nas mesmas condições dos outros fiéis, se não houver situações que possam gerar escândalo público ou desorientação entre os fiéis”.

Aprovado pelo papa Francisco, o texto é datado de 31 de outubro, mas foi divulgado na última semana em resposta à pergunta do bispo brasileiro José Negri, da cidade de Santo Amaro, na Bahia.

A declaração também diz não haver objeções ao batismo dos filhos de casais do mesmo sexo, sejam eles adotados ou biológicos, desde que haja uma “esperança bem fundamentada” de que a criança será educada na religião católica.

Em uma década de papado, o pontífice argentino tem defendido a abertura da Igreja Católica aos cristãos LGBT+, embora tenha afirmado que a homossexualidade “é pecado, assim como qualquer ato sexual fora do casamento”.

Além da homossexualidade, o papa Francisco já debateu temas como divórcio, aborto, igualdade de gênero e métodos contraceptivos, considerados polêmicos na Igreja Católica. Por isso, é alvo de ofensivas de alas conservadoras, que veem a abertura como ameaça à essência da religião.

Com informações da Folha de S. Paulo.

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