A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa adicional de 10% a países que se alinharem às políticas consideradas “antiamericanas” do Brics gerou reação dos principais integrantes do bloco. Em diferentes tons, Rússia, China, África do Sul e Brasil rechaçaram a retórica do republicano e defenderam o caráter cooperativo — e não confrontativo — do grupo, que conta com 11 países-membros e está reunido no Rio até esta segunda-feira (7). As informações são da Reuters.
A Rússia foi direta ao afirmar que a cooperação entre os membros do Brics “nunca foi e nunca será direcionada contra terceiros países”. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que os países do bloco compartilham uma “visão de mundo comum” e baseiam suas relações em interesses próprios.
A China também criticou a ameaça tarifária. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, declarou que “guerras comerciais não têm vencedores” e que “o protecionismo não leva a lugar nenhum”. Para ela, o Brics é uma plataforma de cooperação entre mercados emergentes, sem alvo específico.
A África do Sul adotou um tom diplomático, mas reafirmou não ser “antiamericana”. “Nossas conversas [com os EUA] permanecem construtivas e frutíferas”, disse o porta-voz do Ministério do Comércio, Kaamil Alli. Segundo ele, o país ainda aguarda uma comunicação formal sobre as tarifas, mas mantém o diálogo com Washington para fechar um possível acordo.
Além das reações públicas, a Declaração do Rio de Janeiro, divulgada ontem (6) pela cúpula do Brics — disponível no site do Ministério das Relações Exteriores —, condena o aumento indiscriminado de tarifas e critica medidas consideradas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional. O documento também denuncia o uso de pautas ambientais como justificativa para barreiras comerciais — uma indireta à União Europeia e, em menor grau, aos Estados Unidos.
Embora não tenha sido citado diretamente, o governo estadunidense foi o principal alvo das críticas. A nova ameaça de Trump foi publicada no mesmo dia da declaração conjunta, em sua plataforma Truth Social: “Qualquer país que se alinhe com as políticas antiamericanas do Brics será cobrado com uma tarifa adicional de 10%. Não haverá exceções a esta política”.
A medida deve entrar em vigor no primeiro dia de agosto. Apenas o Reino Unido e o Vietnã, até o momento, fecharam acordos para escapar da tarifa extra. China, Índia, África do Sul e os novos membros do Brics (como Egito, Etiópia, Emirados Árabes e Indonésia) estão entre os países notificados.
A escalada tarifária já havia sido antecipada por Trump no início do ano, quando prometeu sobretaxar o bloco caso este não estivesse alinhado aos interesses dos EUA. Na ocasião, o republicano ironizou os esforços do grupo para ampliar o uso de moedas locais no comércio internacional: “Não há chance de que o Brics substitua o dólar americano no comércio internacional ou em qualquer outro lugar. E qualquer país que tente deve dizer ‘olá às tarifas e adeus à América”.





