O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), inaugurou neste domingo (2) o Solário Carioca, a primeira usina municipal de energia solar fotovoltaica da cidade. O projeto, instalado no antigo aterro sanitário de Santa Cruz — desativado desde o fim dos anos 1990 —, é a principal iniciativa da prefeitura dentro das ações preparatórias para a COP 30, que será realizada em Belém, no Pará, entre os dias 10 e 21 de novembro.
O empreendimento é fruto de uma parceria público-privada com duração prevista de 25 anos e integra a estratégia de transição energética da capital. A nova usina conta com 9 mil painéis solares e capacidade de gerar até cinco megawatts de energia, volume suficiente para abastecer escolas municipais, clínicas da família e prédios administrativos. Segundo a prefeitura, o projeto deve garantir uma economia de aproximadamente R$ 2 milhões por ano e contribuir para a redução de emissões de gases de efeito estufa.
Durante a inauguração, Paes destacou o caráter simbólico e prático do investimento. “O lançamento de hoje representa o momento único para que a gente celebre a participação municipal na implementação de soluções climáticas concretas, mostrando que é viável transformar uma ideia ousada e inovadora em um projeto tangível e eficiente”, afirmou o prefeito. “Hoje a gente tem aqui o resultado, uma nova usina que não apenas simboliza um grande avanço nas metas climáticas da cidade, mas também traz benefícios reais para os cidadãos.”
C40 e o papel do Rio nas metas globais de clima
O Solário Carioca foi desenvolvido com apoio da C40, rede internacional que reúne as maiores cidades do mundo comprometidas com ações climáticas e financiamento de soluções sustentáveis. A organização promove, a partir desta segunda-feira (3), uma cúpula de prefeitos no Rio para debater políticas ambientais urbanas e compartilhar experiências de transição verde em preparação para a COP 30.
Mark Watts, diretor executivo da C40, afirmou que o encontro será um marco nas articulações internacionais entre governos locais. “É a primeira vez que há um grande encontro global de prefeitos antes da COP, então esperamos levar uma mensagem real de esperança. Eles estão focados em tomar ação, e não somente negociar e falar sobre o que vai acontecer em 2050”, disse. “Eles vêm até aqui para falar o que estão fazendo para o próximo ano, para entregar ações práticas para cortar a poluição, mas também gerar empregos e mostrar que a transição verde será melhor para todos.”
Belém se prepara para a COP 30
Enquanto o Rio recebe prefeitos e especialistas em sustentabilidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve em Belém no fim de semana para inaugurar obras ligadas à preparação da COP 30. Entre elas, a ampliação do Terminal Portuário de Outeiro, que abrigará dois navios transatlânticos contratados para servir de hospedagem durante a conferência.
A medida foi adotada após a escalada dos preços dos hotéis em Belém, que chegou a superar os valores de diárias de estabelecimentos de luxo em capitais como Rio e São Paulo. A situação levou delegações internacionais e organizações a ameaçarem boicotar o evento, o que pressionou o governo federal a buscar alternativas. Além dos navios, uma plataforma digital foi lançada para facilitar reservas e comparar preços de hospedagem.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a COP 30 contará com representantes de 143 países. A lista inclui a maioria das nações signatárias do Acordo de Paris, mas deixa de fora países como Estados Unidos e Argentina. O secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, Maurício Lyrio, afirmou que o Brasil pretende aproveitar o evento para “consolidar sua liderança na agenda climática e ambiental do Hemisfério Sul”.






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